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Idosas usam tablets para alfabetizar e contar histórias no Conjunto Cidadão

Aplicativo 'EJA Conecta' transforma relatos de vida em ferramenta de aprendizado em escola de Boa Vista.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
29 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 533 palavras
Mãos de idosa seguram tablet dentro de sala de aula iluminada.
Aplicativo 'EJA Conecta' transforma relatos de vida em ferramenta de aprendizado em escola de Boa Vi · Foto: Redação Nortícia

Dona Janete dos Reis, 74 anos, aperta o tablet com a ponta dos dedos, como se tocasse um tecido fino. É a primeira vez que ela segura o equipamento na mão. Dentro da sala da Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes, no Conjunto Cidadão, zona Oeste de Boa Vista, ela tenta formar as primeiras sílabas na tela iluminada. Há três meses, Janete decidiu voltar para a carteira escolar. A casa estava ficando silenciosa demais, e a solidão pesava mais que a idade. Na sala de aula, ela encontrou não apenas o alfabeto, mas a porta de entrada para um mundo digital que antes parecia exclusivo dos netos.

A barreira do medo da tecnologia quebra ali, na companhia de outros adultos e idosos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A ferramenta que faz a ponte é o aplicativo “EJA Conecta – Nossas Histórias em Campo”. A ideia não é apenas decorar o bê-á-bá. Os alunos produzem textos, publicam fotos e gravam áudios contando as próprias trajetórias de vida. O aprendizado de leitura e escrita acontece no processo de registrar a própria história.

No Conjunto Cidadão, onde a escola está localizada, a iniciativa chegou para romper o abismo digital que isola muita gente da terceira idade. Os tablets usados nas aulas são fornecidos pela Prefeitura de Boa Vista, através da Secretaria Municipal de Educação (Semed). O projeto faz parte da macroproposta pedagógica “Copa da Aprendizagem – Formando Campeões do Saber”. A prefeitura aposta na tecnologia como um instrumento de inclusão, não apenas de entretenimento.

A metodologia funciona assim: o estudante é o protagonista. Em vez de ler apenas textos prontos de livros didáticos que muitas vezes não conversam com a realidade amazônica, eles escrevem sobre o que sabem. Dona Janete, por exemplo, relata a infância no interior e a mudança para a capital. Outros colegas falam do trabalho no mercado municipal ou da criação de animais nos quintais. O aplicativo transforma essas memórias orais em conteúdo de leitura para a turma toda.

O resultado prático é visível nas cadeiras da escola. Alunos que antes sentiam vergonha de pegar uma caneta agora disputam a vez de gravar um áudio ou ajustar o foco da câmera para uma foto. A tecnologia deixa de ser um monstro de sete cabeças e vira uma caneta moderna. A sala de aula ganha o barulho de quem está descobrindo a voz, tanto literal quanto digital.

Para quem perdeu o prazo da escola regular, a EJA em Boa Vista oferece essa segunda chance com um currículo adaptado. A Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes atende a comunidade do Conjunto Cidadão e bairros vizinhos. A tecnologia, antes vista como obstáculo, vira o caminho mais curto para a socialização e o exercício da cidadania. Dona Janete mostra que, na prática, nunca é tarde para apertar o play no botão de aprender.

Os interessados em se matricular na EJA ou saber sobre o projeto nas escolas municipais devem procurar a unidade escolar mais próxima de sua residência ou a Semed. A matrícula é aberta o ano todo, dependendo da disponibilidade de vagas. Informações sobre o “Copa da Aprendizagem” podem ser obtidas no portal da Prefeitura de Boa Vista ou pelo telefone da Ouvidoria Municipal, no 156.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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