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Nortícia CulturaSão João 2026

Arraiá do Bartião une tradição e brega em Santa Bárbara do Pará

32ª edição da festa na Feira do Produtor terá shows de Suanny Batidão e Sabino do Acordeon.

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Karina Pinheiro
Pará · AM
03 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 636 palavras
Palco iluminado com bandeirinhas coloridas ao lado de barracas de comida em Santa Bárbara do Pará.
32ª edição da festa na Feira do Produtor terá shows de Suanny Batidão e Sabino do Acordeon. · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de milho assado na brasa invade a subida da Feira do Produtor antes mesmo de o primeiro acorde da sanfona ser tocado. É Seu João, de 58 anos, quem cuida da fogueira há duas décadas no Arraiá do Bartião, em Santa Bárbara do Pará. Ele garante o ponto da espiga: se o grão estiver duro, ninguém volta no ano seguinte. O fogo crepita, iluminando as bandeirinhas que balançam no ar úmido da Grande Belém.

O Arraiá do Bartião completa 32 edições em 2026 mantendo a proposta que o tornou um dos eventos mais queridos do calendário junino fora da capital: ser a festa do povo, sem o pavone das grandes cidades. Nos dias 6 e 7 de junho, o evento que acontece na Feira do Produtor promete transformar o espaço de comércio rural no maior palco de celebração da cultura barbarensa. Não é apenas música; é uma afirmação de identidade.

Quem sobe ao palco para comandar a farra é Suanny Batidão. A cantora, voz conhecida nos bailes de periferia e nas rádios locais, traz para o São João o ritmo que faz a molecada pular. Não é o forró clássico que avô costuma ouvir, mas a batida que mistura o brega paraense com o calor da festa junina. É o som que traduz a alegria de uma região que não para de crescer.

Mas o equilíbrio da programação vem com Sabino do Acordeon. Enquanto Suanny toca o futuro, Sabino resgata a raiz. O sanfoneiro carrega nos foles a memória dos pés descalços nos terreiros do interior. Ele divide a atração com o grupo Bom de Farra e Ciro Marcelo, garantindo que não falte xote, baião e vanerão para a velha guarda dançar. As notas da sanfona cortam a noite, lembrando que o São João no Norte é, acima de tudo, instrumento de corda na mão.

A festa, no entanto, respira também pelo comércio. Durante os dois dias de evento, agricultores familiares e artesãos da região veem o fluxo de gente se transformar em renda. As barracas que vendem tacacá, tucupi, pamonha e as receitas caseiras de canjica e pé-de-moleque são o coração pulsante do Arraiá. O encontro movimenta a economia local de forma direta, mantendo vivo o ciclo da feira que, neste fim de semana, vira festa.

O antropólogo Raimundo Gomes, que estuda festas populares na região metropolitana, observa que eventos como o Bartião são fundamentais para a manutenção da memória coletiva. "Santa Bárbara é uma cidade que se reinventa pela festa. Aqui, o São João não é apenas uma data no calendário, é o momento em que a comunidade se reconhece na rua, nos cheiros e na música", explica. É onde a cultura vira patrimônio vivido.

As apresentações das quadrilhas juninas e grupos folclóricos garantem o espetáculo visual. As saias coloridas, os chapéus de palha e a pintura no rosto dão o tom cênico, mas a autenticidade está na espontaneidade dos passos. Não se busca a perfeição do campeonato televisivo, mas a alegria do brincante que dança para a plateia e para si mesmo. O tema deste ano, "Celebrando a Cultura e as Tradições Barbarenses", não é apenas slogan no barraco; é fala de quem vive ali.

A animação continua com os DJs Bazola, Matheus Cei, Carlinho e Rilson, que fecham as noites misturando o tecnobrega com o axé, garantindo que ninguém fique parado. A expectativa é de milhares de pessoas, vindas não só de Santa Bárbara, mas de Ananindeua, Marituba e da própria capital, em busca de um São João com gosto de terra e suor.

O Arraiá do Bartião acontece na Feira do Produtor, em Santa Bárbara do Pará, nos dias 6 e 7 de junho. A entrada é franca. O conselho é chegar cedo para garantir um pedaço de banco e provar o milho de Seu João antes que acabe.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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