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Nortícia SegurançaAtlas da Violência 2026

Atlas da Violência aponta queda de 12% em homicídios de jovens no Acre

Levantamento do Ipea e FBSP contabiliza 88 mortes em 2024, menor índice da última década na faixa etária de 15 a 29 anos.

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Diego Câmara
Acre · AM
27 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 536 palavras
Gráficos do Atlas da Violência 2026 exibem estatísticas de homicídios no Acre.
Levantamento do Ipea e FBSP contabiliza 88 mortes em 2024, menor índice da última década na faixa et · Foto: Redação Nortícia

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgaram nesta terça-feira (26) a edição 2026 do Atlas da Violência. O levantamento, que consolida dados oficiais do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, aponta que o Acre registrou em 2024 o menor número de homicídios de jovens dos últimos dez anos. Segundo o estudo, foram contabilizadas 88 mortes de pessoas na faixa etária de 15 a 29 anos no território acreano.

Os dados indicam uma redução de 12% no quantitativo de óbitos em comparação ao ano anterior, quando o estado registrou 100 casos. A margem de 100 mortes havia se mantido como uma média recorrente na série histórica analisada pelos pesquisadores nas últimas décadas, o que torna o recuo para 88 o menor índice anual do período recente. O documento detalha que a maioria dos anos anteriores permaneceu acima da marca de cem vítimas jovens, reforçando a relevância estatística da variação observada no último ano.

O levantamento apresenta ainda o recorte de gênero da violência letal. Em 2023, pelo menos 18 jovens mulheres entre 15 e 29 anos foram vítimas de homicídio no Acre. O Atlas da Violência ressalta que, apesar da queda geral nos números absolutos, a letalidade contra mulheres e a vulnerabilidade da juventude seguem sendo desafios centrais para as políticas de segurança pública no estado. Os pesquisadores observam que a faixa etária de 15 a 29 anos continua sendo a mais exposta à violência intencional em todo o país.

Segundo a análise dos especialistas, três fatores principais contribuíram para o recuo nos índices estaduais de homicídios jovens em 2024. O primeiro fator diz respeito a mudanças nas políticas de segurança implementadas pelos governos estadual e municipais. As estratégias de intervenção passaram a ser guiadas por diagnósticos territoriais mais precisos, permitindo o direcionamento de efetivos policias e ações de inteligência para áreas com maior incidência de registros de crimes violentos.

O segundo elemento apontado pelo estudo refere-se a alterações nas dinâmicas do crime organizado. Houve registro de tréguas pontuais entre facções criminais em algumas regiões do estado, o que reduz, momentaneamente, os confrontos armados e as disputas de território que historicamente elevam as taxas de mortalidade jovem. A terceira variável citada pelos analistas é demográfica: o envelhecimento da população acreana impacta diretamente na base piramidal, que é a parcela mais suscetível à vitimização e à autoria de crimes violentos.

Apesar da redução observada nos números de 2024, o Acre ainda ocupa uma posição preocupante no cenário nacional. O estado figura na 11ª posição entre as unidades da federação com maiores registros de mortes de jovens. O estudo ressalta que a posição no ranking indica que, apesar da melhoria recente, o estado ainda convive com índices de violência superiores à média nacional, exigindo manutenção e aprimoramento das estratégias de prevenção e repressão.

O Atlas da Violência é considerado o principal diagnóstico sobre criminalidade no Brasil e serve como base técnica para a formulação de políticas públicas em todo o país. A edição 2026 consolida as informações referentes ao ano de 2024, considerando o tempo necessário para o processamento dos dados de mortalidade pelo Ministério da Saúde e a posterior análise estatística pelo Ipea e FBSP.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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