Governo do TO autoriza balsa após interdição de ponte na BR-235
Pontes interditadas pelo DNIT por riscos estruturais deixam Pedro Afonso e Tupirama dependentes de travessia fluvial emergencial.

A travessia entre Pedro Afonso e Tupirama, no Tocantins, saiu do asfalto e foi para a água. O fechamento da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, criou um gargalo logístico na região. Diante da interdição total decretada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o Governo do Estado acionou uma medida de contingência. A autorização para operação de uma balsa foi publicada, visando manter o fluxo de pessoas e mercadorias entre as duas margens.
Problema estrutural fecha BR-235
A ação do DNIT não foi uma surpresa para quem acompanha o estado de conservação das rodovias na região. Uma vistoria técnica identificou riscos na estrutura da ponte. Diante da possibilidade de um acidente grave, o órgão federal optou pelo bloqueio total da via. A BR-235 é uma artéria importante no sul do Tocantins. Seu fechamento isola municípios e encarece o transporte. A vistoria apontou a necessidade de estudos mais aprofundados sobre a fundação e o vigamento da ponte. Sem esse "sinal verde", o tráfego de veículos continua proibido.
A medida afeta diretamente a rotina de agricultores, comerciantes e moradores que fazem o trajeto diário. O desvio por outras rotas pode significar horas a mais de estrada de terra ou percursos muito mais longos, aumentando o custo do combustível e o desgaste dos veículos.
Regulação estadual entra em campo
Para mitigar o impacto, o Estado usou seu poder de regulação sobre serviços públicos. A Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (ATR) publicou uma resolução no Diário Oficial do Estado (DOE) do dia 22 de maio. O documento legaliza a operação de transporte hidroviário intermunicipal. É uma autorização emergencial. Ela reconhece que a situação é anormal e exige uma resposta rápida do poder público.
A empresa escolhida para executar o serviço é a Pipes Empreendimentos Ltda. A ATR define que o serviço deve funcionar enquanto durar a interrupção na ponte. Isso traz um alívio, mas também deixa claro que a solução é provisória. A balsa não substitui a eficiência de uma ponte moderna, mas garante a continuidade do vínculo social e econômico entre as cidades.
Incerteza sobre o início das operações
Apesar da autorização publicada no dia 22, a data exata do início da travessia ainda gera dúvidas. O prefeito de Pedro Afonso, Joaquim Martins Pinheiro Filho (PP), demonstrou otimismo, afirmando que a expectativa é de início imediato. Contudo, a reportagem não obteve confirmação oficial da empresa Pipes sobre os horários e a capacidade da balsa.
Essa falta de comunicação é comum em situações de emergência, mas prejudica o planejamento da população. Moradores de Tupirama e Pedro Afonso precisam saber se conseguirão cruzar o rio para trabalhar, estudar ou acessar serviços de saúde. Enquanto a balsa não estiver na água, o isolamento físico permanece, mesmo que a burocracia já tenha sido superada.
Desafios da logística no Norte
No contexto do Norte do país, a dependência de transportes fluviais é uma realidade histórica. Rios são estradas. Quando uma ponte falha, o rio reassume seu papel original de via principal. A manutenção de grandes infraestruturas, como pontes federais, enfrenta desafios orçamentários e ambientais constantes. O clima tropical acelera o desgaste do concreto e do aço, exigindo vistorias frequentes que, muitas vezes, resultam em interdições surpresa.
A recuperação da ponte da BR-235 é agora uma prioridade para o DNIT. O governo federal precisa alocar recursos e equipes técnicas para resolver o problema estrutural o mais rápido possível. Até lá, a vida na região gira em torno do horário da balsa. É uma volta ao básico, imposta pela necessidade, que reforça a importância de investimentos contínuos em infraestrutura para garantir a integração do território tocantinense.
Com base em g1-to.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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