Biblioteca da Floresta registra 1,3 mil visitas após reabertura em Rio Branco
Espaço ficou fechado por seis anos e agora recebe estudantes e famílias no Bosque da Ciência.
João Victor Alves de Souza, 21 anos, estudante de Direito, espalha o material de Direito Penal na mesa branca da sala de estudos do térreo. Todo dia às 7h da manhã, ele tropeça na mochila para chegar cedo. Até o último dia 23 de maio, quando a Biblioteca da Floresta reabriu as portas depois de seis anos fechada, João percorria os corredores de shoppings e lanchonetes da capital acriana em busca de um lugar silencioso e gratuito para ler. Hoje, ele tem um endereço fixo no Bosque da Ciência, e o ar condicionado funcionando é o atrativo extra no verão amazônico.
A retomada do espaço, gerido pela Secretaria de Cultura de Rio Branco (Secult), ganhou números concretos que aliviam a saudade dos frequentadores antigos. Em pouco mais de trinta dias, o contador digital girou e marcou 1.393 visitas ao prédio revitalizado. Dá uma média de quase 50 pessoas por dia circulando entre as estantes de madeira, os sofás vermelhos novos e o silêncio regrado que parecia perdido.
A coordenadora do local, a historiadora Irineida Nobre, vibra com a estatística. São 267 usuários com carteirinha nova emitidas desde o retorno. A sala de estudos, onde o João Victor queima as pestanas até o meio-dia, teve 321 passagens registradas. A estação de trabalho, com computadores e internet, soma 392 acessos. Mas o movimento não é monopolizado pelos estudantes universitários que fazem a travessia do campus da UFAC vizinho.
O espaço infantil, no andar superior, recebeu 350 visitas de pais e filhos. No auditório, as exposições de fotografia e história local puxaram 330 curiosos. "Isso dá uma estimativa importante dessa retomada. Eu era mais uma órfã da Biblioteca da Floresta e hoje vejo a biblioteca funcionando nos mesmos moldes de quando iniciou", comemora Irineida. Ela lembra que o fechamento se arrastou por seis anos, um período que deixou um buraco no centro cultural da cidade.
No setor de multimídia, a designer gráfica Clara Mendes, 28 anos, finaliza um layout para uma cliente. Antes da reabertura, ela trabalhava de casa, com a TV ligada e o telefone tocando. "Aqui eu consigo focar. Tem tomada, tem internet e não tem cachorro latindo", diz Clara, enquanto ajusta o monitor de uma das estações.
Além da estrutura física, a agenda cultural voltou a respirar. Nos últimos finais de semana, a biblioteca sediou rodas de memória com indígenas Huni Kuin do Alto Purus, onde os anciãos compartilharam histórias da floresta dentro da biblioteca urbana. Também já rolaram oficinas de educação patrimonial e encontros literários que esvaziam o estoque de livros novos.
Para quem perdeu os anos de obra, a mudança é visual. O antigo cheiro de mofo deu lugar a tinta fresca, o piso foi trocado e a iluminação agora valoriza as fachadas de vidro que dão para a mata do Bosque. É um convite para ficar.
O cadastro para usuários é feito na hora, na recepção, bastando levar documento com foto e comprovante de residência. O serviço é gratuito. A Biblioteca da Floresta funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O espaço fica na Rua Aluízio Ferreira, próximo à entrada do Bosque.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



