Atoleiro na BR-422 isola passageiros entre Cametá e Oeiras do Pará
Chuvas e falta de manutenção transformam trecho no km 13 em lamaçal; usuários saem de ônibus pela janela.
No km 13 da BR-422, bem na curva de acesso à ponte do Pacurijó, o cenário é de guerra. Não são tanques, mas ônibus rodoviários afundados até o eixo em um lamaçal de cor marrom escuro. Na última terça-feira, a situação chegou ao extremo ridículo: passageiros de um coletivo precisaram subir nos bancos e descer pelas janelas porque as portas estavam bloqueadas pela lama. A imagem, gravada em vídeo por um dos usuários presos no congestionamento, resume o cotidiano de quem vive entre Cametá e Oeiras do Pará.
Não é um buraco. É um trecho de quilômetros que parece um pântano. A chuva, que cai forte nesta época do ano no nordeste paraense, é o combustível do caos, mas a faísca é a falta de manutenção. O asfalo se foi. Restou a terra batida que se transforma em barro pegajoso com a primeira garoa. O motorista que tenta a sorte fica com o veículo preso, e a fila de espera cresce.
Quem precisa ir de Oeiras até Cametá, ou vice-versa, joga a sorte. Há quem fique cinco horas parado. Tratores de fazendas vizinhas viram os únicos rebocadores disponíveis, cobrando valores abusivos para puxar carros e caminhões que ousaram cruzar o caminho. É um isolamento forçado numa região que depende dessa rodovia para tudo: para levar o paciente ao hospital, para levar o estudante à faculdade, para escoar o açaí ou a farinha.
A responsabilidade de consertar o chão é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT. A Nortícia procurou a superintendência do órgão no Pará para perguntar quando a maquinaria vai chegar, quando vai sair o bota-fora, quando vai voltar o asfalto. A resposta que veio até agora é o silêncio. Apenas a poeira levantada pelos pneus que ainda conseguem passar e o som de buzinas furiosas.
Líderes comunitários de Oeiras do Pará têm postado fotos diárias. O medo agora é que um veículo de maior porte, como um caminhão-tanque, tombe e impeça completamente a passagem, transformando o trecho numa barreira intransponível. A ponte do Pacurijó é estratégica. Se ela ficar inacessível, o desvio é de horas por estradas vicinais que não têm pavimentação nenhuma.
O problema não é novo. Relatos de moradores indicam que o buraco existe há meses, mas a combinação do inverno amazônico com o descaso acelerou a degradação. Sem drenagem, a água acumula na pista. Sem base, o pavimento cede. O resultado é o atoleiro que expõe a precariedade da logística no interior da Amazônia.
Enquanto o DNIT não se manifesta, a vida fica no suspense. O motorista que precisa pegar a estrada amanhece com a dúvida: 'vou conseguir passar?'. Para cobrar uma solução, o caminho é registrar a reclamação formal. O DNIT possui ouvidoria nacional, acessível pelo número 166 ou pelo aplicativo DNIT Cidadão. É preciso denunciar o trecho, informar o estado (Pará), a rodovia (BR-422) e o ponto crítico (km 13). Sem protocolo, o barro vira lei.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



