Programa federal leva emissão de CIN e microchipagem de pets a bairro de Boa Vista
Ação do Brasil na Rua oferece cerca de 100 atendimentos gratuitos, sem agendamento, até as 17h desta terça na Casa Amarela.
Seu Raimundo Nonato, 58 anos, estaciona a bicicleta em frente à Casa Amarela, na Rua Izídio Galdino da Silva, número 2469, no bairro Senador Hélio Campos, zona Oeste de Boa Vista. Ele não veio comprar pão. Veio com o RG antigo na mão para resolver uma pendência de três anos: a emissão da nova Carteira de Identidade Nacional, a CIN.
A fila já se estende pela calçada quando o sol começa a apertar. É a 20ª edição do programa Brasil na Rua, que nesta terça-feira (2) transformou o equipamento público em uma estação de serviços completa. São cerca de 100 atendimentos gratuitos oferecidos até as 17h, sem necessidade de agendamento prévio.
A logística é coordenada pela Secretaria-Geral da Presidência da República, com a presença da secretária nacional de Participação Social, Izadora Gama Brito. A lista é longa: vai da emissão da CIN à microchipagem de cães e gatos, passando por renovação de CNH, consultas ao INSS e serviços do Detran-RR. É burocracia estatal levada para perto da porta de casa.
Dona Francisca Bezerra, 62, aposentada, ajusta o óculos para ler o panfleto de orientação. Ela mora no mesmo bairro, a três quadras dali. "Tentava ir no DETRAN lá no Centro, mas é viagem longe, fila demorada, não tenho paciência", conta. Hoje, ela apenas cruzou a rua. "Quando cheguei, já era 30 da fila. Agora já estou próximo ao guichê. Isso que é bom para a gente", comemora.
Do outro lado do pátio, a cena é diferente: latidos e coleiras. É a equipe de microchipagem. Robson Almeida, 24, segura Thor, um pinscher de três anos que já fugiu duas vezes do quintal. "Me disseram que o chip é como um RG pra ele. Se sumir de novo, bato o número e acham. Tô aproveitando que é de graça", diz Robson, enquanto o veterinário faz a aplicação rápida na nuca do animal.
Segundo a organização, a microchipagem serve para controle populacional e de zoonoses. Para o serviço, basta o tutor apresentar um documento com foto e um comprovante de residência. A mesma regra básica se aplica à CIN: documento atualizado e número do CPF. Sem papelada passada, o atendimento flui.
A estratégia de levar o governo para a periferia tenta contornar um problema clássico nas capitais do Norte: o custo e o tempo de deslocamento. Em Boa Vista, ter serviços do Governo Federal e estaduais em zonas como a Oeste reduz o dia de trabalho perdido do morador, que antes gastaria duas horas só no trajeto de ida e volta.
Quem perdeu a oportunidade desta terça-feira deve ficar atento aos canais oficiais. A programação é itinerante. Enquanto o programa não volta, o cidadão pode agendar a CIN pelo portal Gov.br ou procurar o posto do Detran-RR na Avenida Capitão Ene Garcez. Para denúncias sobre serviços públicos ou sugestão de novos pontos de atendimento, o contato é ouvidoria@gov.br.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



