Viatura da Polícia Penal capota após colisão em cruzamento de Palmas
Batida no cruzamento da Rua 25 com a Avenida E deixa carro tombado e trânsito parado na manhã desta terça; condutores saíram ilesos.
Seu Elias Viana, 56 anos, estava na varanda da casa 306 da Rua 25, no Jardim Aureny III, tomando o café com pão de queijo quando o barulho cortou o ar. Primeiro, a sirene forte, típica de emergência. Depois, o estrondo seco de metal contra metal, seguido pelo silêncio breve dos vizinhos que pararam para olhar. Era por volta das 9h30 desta terça-feira (2), e bem na frente da porta de Elias, no cruzamento com a Avenida E, uma viatura da Polícia Penal acabava de capotar. As rodas pretas ficaram apontando para o céu nublado de Palmas, no meio do asfalto cinza.
O impacto fechou o cruzamento por quase duas horas na manhã de terça-feira. A viatura, que seguia pela Rua 25, tentou a travessia na Avenida E. No mesmo instante, uma caminhonete prata trafegava pela avenida, sentido sul-norte. A física foi implacável: a colisão lateral girou o carro policial, deixando-o tombado. Restos de vidro do para-brisa e pedaços da lataria espalharam-se pela faixa de pedestres e pelo asfalto.
"A gente escutou a sirene de longe, achou que era passagem normal. Mas o 'bum' veio junto. Eu levantei correndo, pensei que tinha caído um poste", conta Eliane Souza, 42 anos, moradora do bloco B do Jardim Aureny III. Eliane saía para o trabalho como técnica de enfermagem no Hospital de Dona Regina. A distância de três quarteirões, que ela costuma percorrer em cinco minutos, se transformou em um labirinto de desvio e curiosos. "A gente viu o policial saindo pelo vidro de trás, assustado, mas andando. O outro senhor, da caminhonete, também tava bem de pé", diz ela, ainda com os olhos arregalados ao lembrar da cena.
No local, o trânsito engarrafou rapidamente. A Avenida E é uma das principais vias de acesso à região Sul, e, no horário de pico da manhã, o fluxo é intenso de carros e motos que buscam o Centro ou o Setor Bueno. A corrente de veículos esticou-se até o cruzamento com a Avenida LO-05, obrigando motoristas a fazerem o retorno no Bloco 103 e voltar por ruas alternativas do bairro Aureny IV.
Dona Francisca Alves, dona da mercearia "Do Povão", que fica esquina com o local do acidente, saiu com um balde de água e panos para ver se ajudava, mas o atendimento policial já estava organizado. "Achei que fosse um tiroteio de tão grande o barulho. Quando vi, era a viatura de cabeça para baixo. O jeito foi fechar a porta da loja e deixar os meninos da polícia trabalharem", conta a comerciante, que há 20 anos vê o trânsito apertar naquela esquina. "Aqui sempre tem perto de bater, porque descem a ladeira com muita velocidade", avalia.
Equipes da Polícia Militar e da própria Polícia Penal isolaram a área. O guincho municipal chegou cerca de 40 minutos depois da batida para retirar os veículos. O motorista da viatura, um homem de 39 anos, e o condutor da caminhonete, de 60 anos, foram examinados no local e recusaram transporte para hospitais, segundo o boletim da PM. Eles passaram bem, apenas com o susto e o amassado nos carros.
Enquanto o guincho engatava a viatura tombada, a conversa no ponto de ônibus da Rua 25 girava em torno da sorte dos ocupantes. Se Elias tivesse saído de casa cinco minutos antes para ir ao mercado, estaria na faixa de pedestres cruzando a Avenida E. O cronograma da manhã dele salvou a vida, mas a preocupação com a segurança daquele cruzamento permaneceu. O sinal, segundo moradores, é lento e os carros muitas vezes ignoram a preferencial da Avenida E.
Ocorrências de trânsito com vítimas ou obstrução da via em Palmas devem ser comunicadas imediatamente ao Centro de Operações da Polícia Militar pelo número 190. Para denúncias sobre problemas de sinalização ou infraestrutura no cruzamento da Rua 25 com a Avenida E, o morador pode ligar para a AMTRANS (Agência Municipal de Trânsito e Transportes) através do 156, opção 3.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



