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Nortícia CidadesRisco no transporte

Jovem viaja pendurado em porta de ônibus no Terminal de São Brás

Caso ocorreu em Belém após condutor se recusar a abrir porta fora do ponto; Prefeitura vai notificar empresa.

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Ananda Rocha
Pará · AM
02 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 741 palavras
Vídeo mostra rapaz agarrado à porta externa de ônibus em movimento em Belém.
Caso ocorreu em Belém após condutor se recusar a abrir porta fora do ponto; Prefeitura vai notificar · Foto: Redação Nortícia

O rapaz agarra o espelho retrovisor da porta dianteira e mantém o equilíbrio enquanto o ônibus acelera na saída do Terminal de São Brás. Era terça-feira, 2 de junho, por volta do fim da tarde. Ele estava pendurado do lado de fora, o corpo balançando à mercê do trânsito da Avenida Almirante Barroso. O motorista da linha Satélite/UFPA, da empresa Belém-Rio, não freou. A cena, capturada em vídeo por quem estava na calçada, expôs a rotina de tensão no transporte público de Belém.

O conflito começou minutos antes, na plataforma de embarque. Segundo testemunhas ouvidas pela reportagem, o coletivo já havia se afastado do ponto exato quando o jovem tentou a abordagem. O motorista negou a entrada, sinalizando com as mãos que a parada correta ficava alguns metros atrás. O passageiro, however, não aceitou o não. Ao ver o ônibus começar a se mover, ele se jogou no batente da porta, insistindo no acesso de forma perigosa. O condutor seguiu viagem com o passageiro dependurado.

No vídeo, que circula em grupos de WhatsApp e foi repercutido pela TV Liberal, vê-se o risco iminente. O veículo entra na via rápida do terminal, em uma manobra que exige atenção total de quem está dentro, imagina quem está do lado de fora. "Eu achei que ele ia cair na minha frente", conta uma passageira que estava na calçada em frente à plataforma 4. Ela pede para ser chamada apenas de Silva. "Gritamos para ele soltar, mas o motorista continuou. O ônibus saiu lá para a avenida e ele ainda ficou um tempão agarrado".

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), informou que vai notificar a empresa Belém-Rio para apurar a conduta do profissional. O contrato de concessão do transporte público na capital é claro: a segurança física dos usuários é prioridade absoluta. Mesmo em situações de conflito ou infração do passageiro, o condutor deve garantir que não haja risco de morte. Parar o veículo e acionar a central de operações seria o procedimento padrão, e não ignorar o corpo colado na lataria.

A empresa Belém-Rio, em nota oficial, reforçou que vai abrir sindicância interna para identificar o motorista e avaliar as imagens do sistema de monitoramento. Todos os ônibus da frota atual da capital possuem câmeras internas e externas que gravam áudio e vídeo. A direção da empresa afirmou ainda que repudia qualquer atitude que coloque em risco a vida dos passageiros e que respeitará a penalidade que a Semob aplicar, que pode ir de multa até suspensão do profissional.

Para quem usa o sistema todo dia, a cena não é um fato isolado, mas o desfecho extremo de uma relação desgastada. João Carlos, estudante da UFPA que usa a linha Satélite há três anos, diz que a pressão no horário de pico é grande para ambos os lados. "O motorista tem horário para cumprir, o aluno tem aula para chegar. Mas essa briga de poder no ponto não pode acabar em morte. Deixar o cara do lado de fora é crime, é tentativa de homicídio inconsequente", avalia.

O Terminal de São Brás é o maior hub de transporte de Belém. O fluxo intenso de pessoas, especialmente no fim da tarde, gera confusão sobre onde exatamente o ônibus para. As faixas exclusivas e o desenho das plataformas às vezes confundem quem chega correndo. Mas a regra de trânsito e de bom senso prevalecem: se o ônibus já está em movimento, o passageiro perdeu a vez. O motorista, por sua vez, perde a razão se não freia diante de um risco visível.

A fiscalização da mobilidade urbana em Belém depende muito dos olhos atentos dos usuários. Sem o registro feito pelo celular de uma transeunte, o caso poderia ter se encerrado como mais um relato de perrengue no ponto. Agora, o arquivo digital vira prova para uma apuração que pode definir se o motorista responde apenas administrativamente ou se o caso esbarra na esfera civil por colocação em risco.

Quem presencia situações de risco ou desrespeito nos pontos de ônibus da capital não deve ficar calado. Denúncias sobre conduta de motoristas, including recusas de parada em pontos autorizados ou situações de perigo, devem ser registradas na Ouvidoria Municipal. O cidadão pode ligar para o número 156 ou usar o aplicativo Belém 156. É fundamental informar o número do veículo — que está estampado na lataria, na lateral e na parte traseira —, o horário exato e o sentido da viagem.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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