Acre registra aumento de 31% em casos de síndromes respiratórias e emite alerta
Sesacre aponta 1.303 notificações de SRAG entre janeiro e maio; circulação de influenza A e VSR cresce no estado.
Dona Cida Ferreira, 68 anos, chega à UPA do 2º Distrito, na zona Leste de Rio Branco, com lenço no bolso e tosse. A fila da triagem vai até a porta da rua, maior do que ela viu no mês passado. "Está todo mundo tossindo aqui dentro, parece que pegou de uma vez só", diz ela, enquanto espera o número ser chamado.
Não é só impressão da dona Cida. A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) confirmou na segunda-feira (2) que o estado vive um aumento expressivo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os números oficiais da Vigilância Epidemiológica mostram um salto de 31% nas notificações entre janeiro e o dia 23 de maio deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.
Foram 1.303 casos notificados em 2026 contra 989 no ano passado. E o patamar já supera o total de 2024, que fechou com 1.029 registros. O levantamento tem como termômetro quatro Unidades Sentinelas para Síndrome Gripal espalhadas pelo estado: a UPA do 2º Distrito em Rio Branco, o Hospital Raimundo Chaar em Brasiléia, a UPA Jacques Pereira em Cruzeiro do Sul e a UBS Maria de Fátima em Plácido de Castro.
Na sala de espera da UPA Jacques Pereira, no interior do estado, o cenário de lotação se repete. O auxiliar de serviços de saúde Raimundo Nonato, 45 anos, trabalha no controle de acesso e percebeu a mudança no perfil dos pacientes nas últimas duas semanas. "Antes era mais coisa de acidente, agora a sala está cheia de gente com febre e falta de ar, muita criança pequena e idoso", relata.
O relatório técnico da Vigilância aponta que não há um único vilão. A circulação de vírus respiratórios está misturada neste período do ano. O influenza A lidera, mas o vírus sincicial respiratório (VSR), o rinovírus, o adenovírus e o metapneumovírus também foram identificados nas amostras coletadas. É a tempestade viral que costuma aparecer com a variação do clima na Amazônia.
Por conta desse cenário, a Sesacre emitiu um alerta epidemiológico. O objetivo é reforçar que a vacinação continua sendo a principal barreira. O documento pede que a população retome o cuidado com a higiene das mãos e use máscaras em locais fechados e lotados, especialmente quem tem sintomas gripais.
Para dona Cida, a tosse começou numa quarta-feira e só foi piorando. "Fui trabalhar com uma dorzinha no corpo e achei que era cansaço, no sábado não aguentava mais respirar", conta. Ela conseguiu atendimento na UPA, mas o médico de plantão avisou que o fluxo está intenso. As unidades de internação para SRAG também estão monitorando a ocupação, mas até agora o sistema de saúde aguenta a demanda.
O próximo passo, segundo a pasta, é continuar o monitoramento diário nas sentinelas. Se a febre alta persistir por mais de três dias, ou se houver falta de ar repentina, a recomendação é não esperar passar. O caminho é procurar uma unidade de saúde imediatamente. A Vigilância Epidemiológica da Sesacre fica à disposição para dúvidas através do setor de informática do departamento.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



