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Nortícia CidadesErro na CTPS

Paraense tem registro de 'Presidente da República' na carteira de trabalho

Erro no sistema aponta vínculo indevido em função na Prefeitura de Belém e atrapalha a contagem de tempo para a aposentadoria.

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Ananda Rocha
Pará · AM
02 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 652 palavras
Mulher olha surpresa para a tela de celular mostrando aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.
Erro no sistema aponta vínculo indevido em função na Prefeitura de Belém e atrapalha a contagem de t · Foto: Redação Nortícia

Ellen Guedes, 52 anos, abriu o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital na sala de casa, em Belém, numa manhã de domingo, para resolver uma pendência que anda na cabeça de quem passa dos 50: a aposentadoria. Ela tomou o café, pegou o celular e digitou o CPF e a senha. O objetivo era simples: somar o tempo de serviço do período em que trabalhou na Prefeitura. O que ela viu na tela, porém, transformou a consulta burocrática numa cena de teatro. No lugar do cargo de cerimonialista que ocupou entre 2005 e 2006, o sistema do governo federal exibia a função de "Presidente da República". A surpresa fez Ellen largar o celular na mesa. Ela leu de novo. Ali estava, vínculo ativo na antiga Coordenadoria de Comunicação Social (Comus) da Prefeitura de Belém, com data de admissão em março de 2005 e saída em junho de 2006. O salário consignado no erro era de R$ 3.691,98.

"Quando vi aquilo, achei engraçado. Presidente da República recebendo três mil e pouco? Só se fosse de um clube de futebol", comentou ela, recuperando o humor. O susto passou, mas a preocupação técnica instalou-se de vez. Ellen explica que, na época, trabalhava nos bastidores dos eventos do governo municipal, cuidando de protocolo e recepção de autoridades na Comus, bem longe do Palácio do Planalto. O problema, contudo, não é apenas a piada que rendeu status nas redes sociais ao imprimir a tela do celular. O erro de digitação — provavelmente cometido por um servidor do RH da Prefeitura há duas décadas — quebrou a lógica do aplicativo da Dataprev.

Quando ela tenta clicar nos detalhes daquele contrato específico para ver o valor do FGTS ou o tempo exato de contribuição, o sistema falha. A tela carrega e fecha, ou trava. A informação não abre. Isso significa que, para o INSS, aquele período de 1 ano e 3 meses pode ficar "pendurado" ou com dado divergente. Se Ellen for solicitar o benefício agora, o sistema do Gov.br pode não reconhecer automaticamente a contribuição, exigindo que ela entre com um processo de recurso e apresente documentos antigos, como o holerite e a carteira de trabalho física de papel, que felizmente ela ainda guarda em casa na gaveta de cabeceira.

O erro na classificação do cargo (CBO) é mais comum do que se imagina na migração das carteiras físicas para o meio digital. A antiga CTPS verde, que os paraenses carregavam na bolsa, tinha tudo escrito à caneta. Um erro humano de digitação na hora de passar os dados para o sistema antigo do INSS ou da Prefeitura se perpetua por anos sem ser notado, já que ninguém olha a carteira de trabalho todo dia. Só agora, com a facilidade do aplicativo, essas "pedras no sapato" aparecem. Para quem está na corrida final para a aposentadoria, isso é um frio na barriga.

Para Ellen, a tramitação burocrática começa agora. A via mais rápida para corrigir o cargo de "Presidente" para "Cerimonialista" é pelo portal Meu INSS. É necessário selecionar o serviço "Incluir ou Alterar Dados Cadastrais" e, em seguida, a opção "Correção de Dados do Vínculo Empregatício". Ellen vai precisar digitalizar a carteira de trabalho antiga, aquele documento verde desbotado, e o holerite de 2006. Depois, é gerar um protocolo e esperar o cancelamento do registro errado e a inclusão do certo. Quem estiver com o mesmo problema deve ter atenção: alterar o cargo pode mexer na classe de contribuição e, às vezes, disparar uma cobrança de diferença se a empresa pagou um valor menor ao INSS sobre o salário informado.

Enquanto a correção não sai, Ellen guarda o print do "Presidente da República" como recordação. Mas o telefone do 135 já está na lista de contatos rápidos do celular. A aposentadoria não pode esperar por um decreto presidencial de mentira. Reclamações sobre erros na CTPS Digital podem ser feitas pelo portal Meu INSS ou pelo telefone 135.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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