Pane em São Paulo atrasa voos no Aeroporto de Belém e gera filas no saguão
Falha no sistema de Guarulhos paralisou decolagens por 40 minutos e causou reflexos em voos com destino ao Pará e Amapá.
Júlio César Souza, 34 anos, está há duas horas sentado no piso frio do Terminal de Passageiros do Aeroporto Internacional de Belém (VAL). Ele deveria ter embarcado às 10h30 rumo a São Paulo, mas a tela cinza do painel de voos no saguão da Leste continua exibindo a palavra "Atrasado" ao lado do voo LA3460. "A gente toma café com pressa, corre para o check-in e, quando chega aqui, o problema é lá fora. Ficamos reféns de uma torre de controle que está a mil quilômetros de distância", diz Júlio, enquanto limpa o suor da testa com o braço.
O motivo da espera no Val-de-Cães não está aqui, mas em Guarulhos. Uma pane no sistema de comunicação da Torre de Controle do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e também no de Congonhas, suspendeu pousos e decolagens na manhã desta terça-feira (2). O sistema da Força Aérea Brasileira (FAB) falhou às 9h24 e só voltou ao normal às 10h05, segundo informe oficial. A interrupção de 40 minutos, no entanto, virou uma fila de horas nas pistas do Pará.
A Norte da Amazônia Airports (NOA), concessionária que gere o Val-de-Cães, contabilizou o estrago. Até às 11h, já eram dois voos com atraso confirmado por causa da travessia paulista. O voo LA4596, que saiu de Guarulhos com destino a Belém, acabou pousando apenas às 14h25, desorganizando a agenda de quem esperava na pista paraense. Em Macapá, no Amapá, o efeito dominó também atingiu o Aeroporto Internacional Alberto Alcolumbre, prejudicando a conexão da região Norte com o Centro-Sul.
Dona Maria Helena Costa, 58 anos, viajava com a neta de cinco anos para uma consulta médica especializada em São Paulo. Elas chegaram ao aeroporto às 9h. Às 11h30, ainda aguardavam o chamado para o portão de embarque. "Criança não entende de pane de torre. Ela quer saber se vai pegar o avião grande. O pior é a falta de informação; a gente fica olhando o painel e ninguém explica direito o que acontece", conta Maria, apontando para as filas que se formaram no balcão de atendimento da LATAM.
A concessionária NOA divulgou nota oficial dizendo apenas que "acompanha a situação" e orientou o passo padrão: passageiros devem entrar em contato com as companhias aéreas. A LATAM, por sua vez, admitiu a "interrupção temporária das operações aéreas nos aeródromos de São Paulo", mas evitou comentar as filas nos terminais do Norte.
O incidente expõe a dependência logística da Amazônia em relação aos hubs do Sudeste. Belém funciona como um distribuidor de voos, mas quando a engrenagem para em Guarulhos, o movimento aqui trava. Quem precisa fazer conexão para outros estados do Norte ou para o exterior sofre o impacto imediato de uma falha técnica que ocorreu a milhares de quilômetros de distância.
Quem ainda precisa embarcar nesta terça-feira deve redobrar a atenção. A recomendação é acessar o site da NOA ou o aplicativo da LATAM antes de deixar casa. Casos de perda de conexão ou grandes atrasos podem ser formalizados diretamente com a companhia aérea no balcão de atendimento ou pelos canais digitais da ANAC. No Val-de-Cães, o posto de informações da NOA fica localizado no térreo do Terminal de Passageiros, perto da praça de alimentação.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



