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Pane em São Paulo atrasa voos no Aeroporto de Belém e gera filas no saguão

Falha no sistema de Guarulhos paralisou decolagens por 40 minutos e causou reflexos em voos com destino ao Pará e Amapá.

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Ananda Rocha
Pará · AM
02 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 532 palavras
Passageiros aguardam informações em frente ao painel de voos no Aeroporto de Val-de-Cães, em Belém.
Falha no sistema de Guarulhos paralisou decolagens por 40 minutos e causou reflexos em voos com dest · Foto: Redação Nortícia

Júlio César Souza, 34 anos, está há duas horas sentado no piso frio do Terminal de Passageiros do Aeroporto Internacional de Belém (VAL). Ele deveria ter embarcado às 10h30 rumo a São Paulo, mas a tela cinza do painel de voos no saguão da Leste continua exibindo a palavra "Atrasado" ao lado do voo LA3460. "A gente toma café com pressa, corre para o check-in e, quando chega aqui, o problema é lá fora. Ficamos reféns de uma torre de controle que está a mil quilômetros de distância", diz Júlio, enquanto limpa o suor da testa com o braço.

O motivo da espera no Val-de-Cães não está aqui, mas em Guarulhos. Uma pane no sistema de comunicação da Torre de Controle do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e também no de Congonhas, suspendeu pousos e decolagens na manhã desta terça-feira (2). O sistema da Força Aérea Brasileira (FAB) falhou às 9h24 e só voltou ao normal às 10h05, segundo informe oficial. A interrupção de 40 minutos, no entanto, virou uma fila de horas nas pistas do Pará.

A Norte da Amazônia Airports (NOA), concessionária que gere o Val-de-Cães, contabilizou o estrago. Até às 11h, já eram dois voos com atraso confirmado por causa da travessia paulista. O voo LA4596, que saiu de Guarulhos com destino a Belém, acabou pousando apenas às 14h25, desorganizando a agenda de quem esperava na pista paraense. Em Macapá, no Amapá, o efeito dominó também atingiu o Aeroporto Internacional Alberto Alcolumbre, prejudicando a conexão da região Norte com o Centro-Sul.

Dona Maria Helena Costa, 58 anos, viajava com a neta de cinco anos para uma consulta médica especializada em São Paulo. Elas chegaram ao aeroporto às 9h. Às 11h30, ainda aguardavam o chamado para o portão de embarque. "Criança não entende de pane de torre. Ela quer saber se vai pegar o avião grande. O pior é a falta de informação; a gente fica olhando o painel e ninguém explica direito o que acontece", conta Maria, apontando para as filas que se formaram no balcão de atendimento da LATAM.

A concessionária NOA divulgou nota oficial dizendo apenas que "acompanha a situação" e orientou o passo padrão: passageiros devem entrar em contato com as companhias aéreas. A LATAM, por sua vez, admitiu a "interrupção temporária das operações aéreas nos aeródromos de São Paulo", mas evitou comentar as filas nos terminais do Norte.

O incidente expõe a dependência logística da Amazônia em relação aos hubs do Sudeste. Belém funciona como um distribuidor de voos, mas quando a engrenagem para em Guarulhos, o movimento aqui trava. Quem precisa fazer conexão para outros estados do Norte ou para o exterior sofre o impacto imediato de uma falha técnica que ocorreu a milhares de quilômetros de distância.

Quem ainda precisa embarcar nesta terça-feira deve redobrar a atenção. A recomendação é acessar o site da NOA ou o aplicativo da LATAM antes de deixar casa. Casos de perda de conexão ou grandes atrasos podem ser formalizados diretamente com a companhia aérea no balcão de atendimento ou pelos canais digitais da ANAC. No Val-de-Cães, o posto de informações da NOA fica localizado no térreo do Terminal de Passageiros, perto da praça de alimentação.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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