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Buscas por indígena desaparecido no Rio Araguaia seguem na Ilha do Bananal

Corpo de Bombeiros busca Tales Karajá desde segunda-feira; embarcação foi encontrada sem combustível e há suspeita de crise convulsiva.

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Diego Câmara
Tocantins · AM
06 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 485 palavras
Equipe de busca do Corpo de Bombeiros caminha por margem do rio na região da Ilha do Bananal.
Corpo de Bombeiros busca Tales Karajá desde segunda-feira; embarcação foi encontrada sem combustível · Foto: Redação Nortícia

As equipes de busca e salvamento do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) intensificaram nesta sexta-feira (6) as diligências para localizar o indígena Tales Karajá, desaparecido desde a segunda-feira (1º) no Rio Araguaia. As operações de campo concentram-se na região da Ilha do Bananal, divisa entre os estados do Tocantins e Mato Grosso, área caracterizada pela complexa hidrografia da bacia amazônica.

Segundo o registro de ocorrência acionado pela família, a vítima, residente da Terra Indígena Xambioá, no norte do Tocantins, navegava em uma embarcação de pequeno porte em direção ao município de Luciara, no Mato Grosso. O contato foi perdido durante o trajeto, estimado em cerca de duas horas de navegação. A suspeita de extravio foi confirmada após o horário previsto de chegada, quando a embarcação não apareceu no destino.

O achado da embarcação, localizado na terça-feira (2), forneceu os primeiros elementos técnicos para o direcionamento das buscas. O barco foi encontrado encalhado às margens do canal principal do Rio Araguaia, com o motor ainda acoplado e o tanque de combustível vazio. Peritos da equipe de socorro identificaram rastros de pegadas que saem da margem e adentram as ilhas em direção à vegetação densa da Ilha do Bananal. Este indicativo levanta a hipótese técnica de que o indivíduo tenha desembarcado por conta própria, possivelmente em desorientação.

A mobilização conta com o apoio de drones para mapeamento aéreo de áreas de difícil acesso e cães farejadores para a varredura de matagal. Familiares da vítima e membros da comunidade indígena participam ativamente das vistorias em terra, auxiliando na identificação de trilhas e locais de pouso costumeiros. O comandante da operação informou que a topografia local, formada por canais estreitos, lagoas fechadas e matagais de difícil penetração, exige esforço redobrado das equipes de terra e água.

De acordo com o tio da vítima, Edimilson Karajá, o histórico clínico de Tales é um dado crucial para a estratégia de resgate. O indígena possui diagnóstico de crises convulsivas, o que aumenta a vulnerabilidade em ambientes aquáticos e isolados. A hipótese levantada pelos parentes e considerada pelos bombeiros é a de que uma crise epiléptica possa ter ocorrido durante a navegação, resultando na queda na água ou no desembarque desorientado. A equipe médica do CBMMT está em alerta para atendimento de emergência, caso a localização seja concretizada.

Não há indicativos, até o momento, de ação criminosa ou violência de terceiros. O caso é tratado como extravio de pessoa em ambiente de risco. As buscas devem continuar ao longo do fim de semana, respeitando as condições meteorológicas da região, que incluem previsão de chuvas que podem alterar o nível do rio e dificultar o acesso às ilhas. O protocolo de busca padrão para casos de afogamento ou extravio fluvial estabeleceu inicialmente um raio de ação de 5km a montante e jusante do ponto de avistamento da embarcação, sendo o foco realocado para a massa terrestre após a descoberta dos vestígios.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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