Calor acima da média favorece colheita de milho no Tocantins
Previsão de calor e chuvas regulares reduz custo de secagem e auxilia logística da safrinha no estado.
O Tocantins encara o mês de junho com uma previsão de anomalia positiva nas temperaturas, podendo chegar a 1°C acima da média histórica. Em termos práticos para o agronegócio, esse calor extra — atrelado a um volume de chuvas dentro da normalidade climatológica — funciona como um catalisador natural para a fase final da segunda safra de milho, a safrinha. A informação consta no boletim mais recente do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que traça um panorama contrastante para a Região Norte: enquanto o Tocantins ganha com o tempo seco, estados vizinhos como o Amazonas e o Pará lidam com o excesso de precipitação.
Para a economia local, a combinação de altas temperaturas e umidade equilibrada reduz a necessidade de secagem artificial dos grãos. No campo, o produtor de milho depende da baixa umidade do ar para que o grão atinja o ponto ideal de colheita, geralmente em torno de 13% a 14% de teor de água. Quando o clima ajuda, o uso de secadores a diesel — um dos itens de maior impacto no custo operacional da lavoura — diminui drasticamente. Em um cenário de margens apertadas no agronegócio, essa economia de escala na ponta pode definir a rentabilidade do ciclo, transformando o clima em um ativo financeiro invisível.
O cenário tocotinense se distingue do resto da Amazônia Legal. O boletim do Inmet alerta para chuvas acima da média no Amazonas e no Pará, o que aumenta o risco de doenças fúngicas nas lavouras e compromete o tráfego de máquinas colheitadeiras, atoladas em solo encharcado. No Tocantins, a geografia do Cerrado e o comportamento das massas de ar neste período de transição para o inverno seco garantem um "corredor climático" favorável. A logística de escoamento, que costuma sofrer com estradas de terra precárias nos períodos chuvosos, tende a enfrentar menos interdições este mês, permitindo que o produto chegue mais rápido às cooperativas e aos portos de exportação no Norte.
Historicamente, junho marca o fim do período chuvoso no centro-sul do Tocantins, mas a intensidade prevista para 2026 sugere uma aceleração nesse processo. A estação seca antecipada, portanto, não é um risco à cultura já estabelecida, mas um benefício para a colheita. Produtores da região de Gurupi e Dianópolis, grandes polos de produção de grãos, devem conseguir avançar com a retirada da safra sem os gargalos logísticos que afetaram o ciclo anterior, quando chuvas irregulares atrasaram a entrada de máquinas no campo e elevaram os índices de perdas pós-colheita.
Do ponto de vista macroeconômico, um fluxo contínuo na colheita da safrinha estabiliza a oferta local e ajuda a conter a alta dos preços do milho, insumo base para a suinocultura e avicultura — cadeias produtivas importantes para o estado. Se o ritmo de colheita se mantém acelerado, o Tocantins consegue posicionar seu produto no mercado nacional com antecedência, evitando a concorrência direta com o grande fluxo do Centro-Oeste que ocorre mais adiante no calendário, o que pode ditar uma cotação mais vantajosa para o produtor regional.
A projeção climática, no entanto, exige monitoramento contínuo. Embora o calor ajude na secagem do milho, temperaturas excessivamente elevadas podem estressar as lavouras de soja que começam a ser semeadas neste período de "safrinha" em algumas localidades, exigindo um manejo técnico rigoroso da umidade do solo para evitar perdas de viabilidade das sementes. A expectativa do mercado é que o balanço final do mês de junho confirme o ganho de produtividade projetado pelos dados do Inmet, consolidando o Tocantins como um polo de eficiência logística no mapa agrícola do Norte.
Renato Lobo
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
Leia também —
ver mais em Economia →
Nortícia EconomiaServidores de Rio Branco fecham acordo de 5% após 13 dias de greve
Nortícia EconomiaReceita Federal no Amapá supera meta com 117 mil declarações do IR
Nortícia Economia