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Caminhão com lhamas é apreendido no AC; destino era show em RO

Polícia interceptou veículo com mais de 40 animais na BR-364. Dono diz que iam para feira em Ji-Paraná, mas PF suspeita de contrabando da Bolívia.

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Curadoria Nortícia
Acre · AM
26 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 518 palavras
Caminhão boiadeiro transportando lhamas em rodovia
Polícia interceptou veículo com mais de 40 animais na BR-364. Dono diz que iam para feira em Ji-Para · Foto: Redação Nortícia

A fiscalização na BR-364 impediu o trânsito de uma carga incomum entre o Acre e Rondônia na última quarta-feira (20). Um caminhão boiadeiro que transportava mais de 40 lhamas foi apreendido pela Polícia Militar e pela Polícia Federal durante uma ação de rotina. O destino alegado pelo proprietário era a Rondônia Rural Show, em Ji-Paraná, um dos principais eventos do agronegócio na região Norte. No entanto, a falta de documentação essencial transformou uma viagem promocional em um caso de investigação policial.

Negócio com animais exóticos

Para o empresário Wellington Vieira de Araújo, dono dos animais, a operação era regular. Ele afirmou que as lhamas estavam sendo levadas para a feira agropecuária em Rondônia com o objetivo de divulgação e venda. Segundo Wellington, parte do rebanho nasceu no Brasil e ele já havia levado os animais ao Acre anteriormente para exibições em cidades da região. A ideia era aproveitar a visibilidade do Rural Show para alavancar a criação de lhamas no Norte, uma atividade que ainda é considerada exótica mas tem ganho espaço entre produtores rurais que buscam alternativas ao gado tradicional. O retorno a Rondônia se deu após o empresário conseguir espaço reservado para a apresentação dos animais no evento.

Burocracia na estrada

A abordagem policial revelou uma série de irregularidades que impediram a continuidade da viagem. As autoridades constataram que o caminhão não portava a Guia de Transporte Animal (GTA), documento obrigatório para o trânsito de qualquer espécie pecuária. Além da GTA, faltavam as documentações sanitárias e a autorização de importação. A fiscalização também chamou atenção para o comportamento do motorista: o veículo passou pelo posto da polícia sem realizar os procedimentos de parada obrigatória, tentando seguir viagem até ser interceptado. A fuga da abordagem inicial gerou desconfiança sobre a legalidade de toda a operação, levando à apreensão imediata da carga e do veículo.

Suspeita de contrabando

A Polícia Federal agora investiga a origem real dessas lhamas. Embora o proprietário negue qualquer ilegalidade e afirme a nacionalidade dos animais, a localização da apreensão levanta alertas. O Acle faz fronteira com o Peru e a Bolívia, países onde a criação de lhamas é tradicional. A suspeita da PF é de que os animais possam ter entrado no Brasil irregularmente, o que caracterizaria contrabando ou descaminho. Sem a autorização de importação, não é possível provar a entrada legal pela fronteira. A investigação deve cruzar dados para verificar se existe uma criação legal desses animais em território nacional capaz de suprir esse volume, ou se houve fraude na documentação para trazer o rebanho dos países vizinhos.

Enquanto a investigação prossegue, as lhamas permanecem apreendidas e o destino do negócio fica incerto. O caso expõe os desafios da fiscalização em uma região de fronteiras extensas e a importância da documentação para o desenvolvimento do agronegócio. Eventos como a Rondônia Rural Show são vitais para a economia local, mas dependem do cumprimento rigoroso das normas sanitárias e fiscais para garantir a segurança do produtor e do consumidor. A expectativa é que a perícia conclua rapidamente a origem dos animais para definir a responsabilidade do proprietário.

Com base em g1-ro.

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