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Cheia no Amazonas enfraquece e rios devem ficar abaixo da cota severa

Projeção do SGB indica início da vazante na bacia, com níveis abaixo do alerta máximo em Manaus, Manacapuru, Itacoatiara e Parintins.

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Ananda Rocha
Amazonas · AM
29 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 521 palavras
Águas do Rio Negro encostam nas instalações do porto de Manaus durante período de cheia.
Projeção do SGB indica início da vazante na bacia, com níveis abaixo do alerta máximo em Manaus, Man · Foto: Redação Nortícia

Seu Joaquim Pereira, 56 anos, amarra a lancha com um nó cego no trapiche da Educandos, zona sul de Manaus. Ontem, a água subiu até a quarta tábua do cais; hoje de manhã, ao descer a rampa, ele percebeu que o nível baixou uns cinco centímetros. Parece pouco, mas pra quem vive do rio e respira o clima da cheia, é o sinal que todo mundo esperava.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) confirmou nesta sexta-feira (29) o que o olho treinado do ribeirinho já via: a cheia de 2026 enfraqueceu. O 3º Alerta de Cheias da Bacia do Amazonas, divulgado pelos técnicos, traz a notícia de que o Rio Negro não deve bater na cota de inundação severa em Manaus neste ano.

A estimativa é que o rio pare de subir e comece a estabilizar por volta dos 28,20 metros. A cota de inundação severa — aquela que traz transtornos maiores para o comércio e o transporte — é de 29 metros. Na sexta, o medidor da porto de Manaus marcava 27,80 metros. Ou seja: o pior foi evitado, mas o calorento e o transtorno das lamas ainda vão ficar por um tempo.

Lá no Centro, o comércio que cobre as portas com tábuas e lonas pretas há duas semanas já começa a calcular quando tirar a proteção. “É o Deus nos acudindo que a vazante chega logo. O movimento caiu quando a água subiu, e tirar a lona na chuva é trabalho dobrado”, diz Maria de Lurdes, funcionária de uma loja de ferramentas da Rua Marechal Deodoro. Ela conta que três comerciantes da quadra resolveram antecipar as férias para não ter que lidar com o acesso alagado.

Não é só Manaus que respira aliviado. Em Manacapuru, a projeção do SGB é que o Solimões chegue a 18,98 metros. A cota severa lá é de 19,60 metros. Atualmente, o rio está em 18,57 metros. Em Itacoatiara, no médio Amazonas, o rio marcou 13,52 metros e deve chegar a 13,63 metros. Parintins, que sofre com o avanço das águas sobre as casas de palafita, deve ver o rio estabilizar em 8,17 metros, abaixo dos 9,30 metros da cota severa.

O gerente de Hidrologia do SGB explicou, durante a coletiva, que os dados já apontam o início gradual da vazante em parte da bacia amazônica. É um processo lento. A água não desce num dia. Leva semanas até que as calçadas voltem a ficar livres e o transporte fluvial regularize totalmente os pontos de embarque.

A Defesa Civil de Manaus continua monitorando as pontes e os acessos fluviais. Quem mora na beira não pode soltar a guarda ainda: a água ainda está alta, e o risco de queda de árvores ou deslizamentos em encostas molhadas continua. A recomendação é manter os documentos guardados em local seco e o kit de emergência acessível.

As informações atualizadas sobre o nível dos rios podem ser consultadas no site da Defesa Civil do Amazonas ou pelo telefone 199. O SGB vai divulgar o próximo boletim na próxima semana, mas a expectativa de Seu Joaquim na Educandos é que a próxima notícia seja de água baixando mesmo.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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