Chuva forte alaga viaduto e provoca caos no trânsito de Belém
Temporal da tarde desta quinta-feira interditou o Viaduto Benedito Peixoto e atrasou linhas de ônibus que ligam o centro às zonas sul e leste.
Seu Benedito Gomes, 56 anos, tropeçou na água que cobria a calçada da Rua 28 de Setembro, altura da Praça da República, tentando descer do ônibus 006. Eram 17h45 de quinta-feira e o motorista resolveu parar o coletivo duas quadras antes do ponto final porque a via estava intransitável.
A chuva que começou forte por volta das 16h30 transformou o acesso ao Viaduto Benedito Peixoto em uma piscina de lama. A lâmina d'água ultrapassou meio metro em minutos, engolindo carros e forçando a interdição da principal ligação entre o Comércio e os bairros de Nazaré e Umarizal.
Segundo o pluviômetro da Defesa Civil de Belém, caíram 58 milímetros em apenas uma hora. O volume foi suficiente para saturar a rede de drenagem antiga da área central. A Transbelém informou, às 18h10, que o viaduto estava totalmente fechado nos dois sentidos.
"Eu deixo o Bengui todos os dias às 16h30. Hoje o ônibus demorou uma hora e meia pra fazer um trajeto de 20 minutos. O motorista gritou lá da frente que não ia conseguir subir a rampa por causa dos carros que morreram", contou Benedito, ainda molhado, segurando uma sacola de feira do Ver-o-Peso.
Na parada da Universidade Federal do Pará (UFPA), a estudante de Letras, Amanda Lima, 22 anos, via o tempo passar no celular. "Tenho trabalho de grupo às 19h. Se eu não achar um táxi, perco a presença. Os aplicativos estão com fila de 30 pessoas e a corrida a 60 reais", reclamou.
A Secretaria de Obras (Seop) informou que a equipe do 'Ronda-Cidade' foi acionada logo no início da chuva. Três caminhões-tanco e equipes de desentupimento foram enviados ao local. "Identificamos grande acúmulo de lixo descartado irregularmente nas galerias pluviais, o que dificultou o escoamento", declarou a assessoria da Seop em nota oficial enviada à imprensa.
O problema, no entanto, é crônico. O viaduto Benedito Peixoto, inaugurado na década de 70, entra na lista de pontos críticos de alagamento de Belém em todo temporal acima de 40mm. O projeto de revestimento da drenagem, previsto no orçamento de 2025, ainda aguarda liberação de licença ambiental para início das obras.
Enquanto a água não baixa, o trânsito segue em colapso nas avenidas Visconde de Souza Franco e Almirante Barroso. A Polícia Militar direciona o fluxo manualmente, mas o volume de veículos supera a capacidade das vias alternativas.
Moradores que precisam registrar danos ou solicitar serviços de desobstrução podem ligar para o 156, opção 2, ou abrir chamado no aplicativo Belém Sustentável. A Defesa Civil mantém o estado de atenção para as próximas horas, com previsão de chuvas isoladas para a noite desta quinta-feira.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


