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CNJ abre novo processo contra juiz do TJRR ligado à Operação Fullone

Magistrado é investigado por venda de sentenças; decisão se conecta à operação da PF que apura desvios na Saúde de Roraima.

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Diego Câmara
Roraima · AM
27 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 502 palavras
Prédio do Conselho Nacional de Justiça em Brasília, sede dos julgamentos administrativos.
Magistrado é investigado por venda de sentenças; decisão se conecta à operação da PF que apura desvi · Foto: Redação Nortícia

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, na manhã desta terça-feira (26), abrir novo Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra um magistrado do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR). A ação apura suspeitas de venda de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro supostamente praticadas pelo titular da 1ª Vara da Fazenda Pública.

A decisão foi formalizada durante a 8ª Sessão Ordinária de 2026 do órgão de controle. Segundo a nota divulgada pelo CNJ, o novo inquérito administrativo tem conexão direta com a Operação Fullone, deflagrada pela Polícia Federal em 2024. A operação federal investiga um esquema de desvios milionários de recursos destinados à saúde pública em Roraima.

O magistrado, identificado pelas iniciais A.F.V., já figurava como alvo na operação policial. Na ocasião, a PF apontou indícios de que o juiz receberia vantagens indevidas para proferir decisões favoráveis em processos de interesse de grupos envolvidos na malversação de verbas, especialmente em execuções fiscais e demandas envolvendo o estado. Com a nova decisão do CNJ, a apuração ganha agora um trâmite administrativo paralelo ao criminal, podendo resultar em penalidades como aposentadoria compulsória, disponibilidade ou demissão do cargo vitalício.

A.F.V. encontra-se afastado das funções jurisdicionais desde 2024, quando respondia ao primeiro processo disciplinar. O TJRR informou, por meio de sua assessoria, que tomou conhecimento da decisão do CNJ e que aguarda o cumprimento dos ritos legais, reiterando que está à disposição dos órgãos de controle. A corte roraimense não detalhou medidas internas adicionais, mantendo a posição de aguardar o trânsito em julgado das instâncias superiores.

Procurada pela reportagem, a defesa do magistrado não apresentou manifestação oficial até o fechamento desta matéria. Em processos anteriores ligados à Operação Fullone, a defesa de A.F.V. sustentou a inocência do cliente e questionou a legalidade das provas obtidas pela PF durante as diligências, argumentando nulidade na quebra de sigilo bancário e na interpretação dos dados financeiros.

A Operação Fullone marcou a investigação de crimes contra a administração pública em Roraima. As apurações iniciais indicaram que um grupo criminoso infiltrado na gestão estadual desviava recursos de contratos emergenciais de saúde, comprando insumos com sobrepreço ou sem entrega efetiva. O envolvimento de membros do Judiciário ampliou o espectro da investigação, sugerindo um esquema de proteção jurídica para os desvios, com sentenças que beneficiavam empresas suspeitas de fraudar licitações.

Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que Roraima possui um dos índices mais altos de processos disciplinares contra magistrados por milhão de habitantes na região Norte nos últimos quatro anos. O caso de A.F.V. é um dos de maior repercussão recente, envolvendo crimes de colarinho branco e impacto financeiro direto nos cofres públicos estaduais.

Com a abertura do novo PAD, a Corregedoria Nacional de Justiça tem prazo legal para conduzir a instrução processual, incluindo a oitiva de testemunhas e do investigado. Ao final, o relator apresentará voto no plenário do CNJ, que decidirá sobre a aplicação de penalidade. Paralelamente, os inquéritos criminais na Justiça Federal de Roraima continuam tramitando sob sigilo, sob a coordenação da força-tarefa que integra a Operação Fullone.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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