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Copa do Mundo aquece comércio local e eleva ticket médio em barbearias de Manaus

Setor de serviços pessoais vê aumento de 30% no faturamento com cortes temáticos; fenômeno ilustra sensibilidade do comércio de rua a eventos culturais.

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Renato Lobo
Amazonas · AM
01 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 611 palavras
Cabeleireiro utiliza máquina para fazer corte de cabelo temático em cliente em barbearia de Manaus.
Setor de serviços pessoais vê aumento de 30% no faturamento com cortes temáticos; fenômeno ilustra s · Foto: Redação Nortícia

O setor de serviços pessoais em Manaus encerra o primeiro semestre com uma anomalia positiva na curva de faturamento: as barbearias da capital amazonense registraram um aumento estimado de 30% na receita na semana que antecede a estreia da Copa do Mundo. O pico de demanda é impulsionado pelos chamados "cortes temáticos", reproduções dos visuais de jogadores como Neymar e Vinícius Jr., que elevam o ticket médio — o valor gasto por cliente — de uma média de R$ 50 para até R$ 80, dependendo da complexidade do design.

Para colocar o fenômeno em perspectiva: enquanto a indústria da Zona Franca de Manaus lida com estoques e ciclos longos de produção, o comércio de serviços responde quase imediatamente ao calendário de eventos de massa. No caso específico das barbearias, estamos falando de um segmento intensivo em mão de obra, composto majoritariamente por microempreendedores individuais (MEIs). O aquecimento pontual ajuda a fluir o caixa de uma categoria que, historicamente, sofre com a sazonalidade negativa nos meses de menor poder de compra, como os meses de março e abril, logo após o carnaval.

"O que a gente vê é uma elasticidade da demanda por entretenimento. O consumidor manauara, mesmo com a inflação pressionando a cesta básica, reserva uma parcela da renda para vivenciar o evento da Copa. O corte de cabelo torna-se um bem de entrada para esse ritual social", analisa o economista Mauro Thury, do Departamento de Economia da UFAM, especializado em comércio urbano. Thury ressalta que, diferente da compra de uma camisa oficial da seleção — cujo preço é majorado por royalties internacionais —, o dinheiro gasto na barbearia fica 100% na economia local, girando impostos municipais e pagando salários.

Os dados da Associação Comercial do Amazonas (ACA) indicam que o setor de beleza e bem-estar cresceu 4,2% no acumulado do ano, puxado pela retomada dos serviços presenciais. A Copa, portanto, atua como um acelerador extra. Para os empresários do ramo, o desafio logístico é o mesmo de outros grandes eventos: gerenciar o estoque de insumos e a escala da equipe para evitar filas excessivas que possam resultar em perda de clientela. Em Manaus, onde a informalidade é alta, muitos profissionais aproveitam a demanda extra para regularizar o fluxo de caixa, muitas vezes feito apenas em espécie.

No entanto, a prudente análise econômica exige olhar para a sustentabilidade desse pico. A experiência de torneios anteriores mostra que o "efeito Copa" no comércio local é transitório, durando cerca de 30 a 45 dias, dependendo da longevidade da equipe nacional no campeonato. O risco para o pequeno empresário é o excesso de otimismo: aumentar a capacidade fixa (alugar um espaço maior ou contratar mais cabeleireiros) baseando-se em uma receita que não é recorrente.

Além disso, há um componente de renda. Se o brasileiro avançar nas fases finais, o consumo tende a se manter aquecido. Se a eliminação ocorrer cedo, como em 2014, o resfriamento do comércio de rua pode ser abrupto. Os estabelecimentos que conseguirem fidelizar o cliente que veio pelo corte do Neymar, transformando-o em um cliente de corte mensal regular, serão os que extrairão o ganho estrutural desse evento efêmero.

Enquanto a bola rola, o comércio de Manaus respira aliviado. É uma pausa na preocupação constante com juros altos e inflação de serviços. Mas a festa tem data para acabar. A expectativa do setor é que, passada a euforia, o segundo semestre retome a tendência de crescimento moderado, puxado mais pela safra de fim de ano do que pelo futebol. O próximo indicador importante para esse segmento será a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE de julho, que deve capturar exatamente esse reflexo do megafone verde-amarelo na economia das cidades.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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