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Safra de mandioca cresce 5,4% no AM e alivia pressão no preço da farinha

Produção de 120 mil toneladas no primeiro trimestre ajuda a conter alta da farinha em Manaus, mas custo de combustível ainda encarece o escoamento.

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Renato Lobo
Amazonas · AM
31 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 433 palavras
Pilhas de farinha de mandioca armazenadas em depósito de agroindústria no interior do Amazonas.
Produção de 120 mil toneladas no primeiro trimestre ajuda a conter alta da farinha em Manaus, mas cu · Foto: Redação Nortícia

A colheita de mandioca no Amazonas atingiu 120 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026, representando uma alta de 5,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior — um número que, à primeira vista, parece apenas estatístico, mas traduz-se em uma desaceleração no preço da farinha, o item mais sensível da cesta básica do manauara. Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE divulgados nesta sexta.

Para dimensionar o impacto: enquanto a produção regional avançou, o preço médio do quilo da farinha de mesa nas feiras livres de Manaus subiu apenas 1,2% nos últimos três meses, metade da inflação acumulada pelo IPCA no período para alimentos no domicílio. Em contrapartida, o vizinho Pará, maior produtor nacional, sofreu com estiagem que queimou lavouras, empurrando o preço do produto exportado para fora da região e encarecendo o que entra no Amazonas.

"O crescimento da safra local funciona como um amortecedor, mas não resolve o problema estrutural de logística", observa o economista Mauro Thury, do Departamento de Economia da UFAM. Ele destaca que o custo do frete fluvial, atrelado ao diesel, subiu 12% no trimestre, comendo a margem do produtor e impedindo que a queda na oferta paraense seja totalmente compensada pelo estoque amazonense.

A microeconomia da mandioca no Amazonas é complexa. Diferente do agronegócio de grãos do Centro-Oeste, a produção aqui é pulverizada em cerca de 15 mil pequenos produtores, muitos no interior de Careiro, Itacoatiara e Parintins. A falta de armazéns estruturados perto dos polos de produção força a venda antecipada, o que empurra o produtor para o mercado de futuros ou para a negociação direta atravessada, reduzindo o lucro líquido da atividade.

A Superintendência da Zona Franca (Suframa) informou, por meio de nota, que está avaliando a ampliação da linha de crédito para a modernização de farinheiras industriais dentro do Polo. A ideia é aumentar o valor agregado: vender farinha tipo exportação e até amido, em vez de farinha seca de baixo valor. Hoje, o Amazonas importa quase 40% do amido modificado usado pelas indústrias de alimentos do PIM, vindo do Sul e Sudeste — um contra-senso logístico caro para o estado.

A projeção para o segundo semestre é cautelosa. Se a chuva se regularizar, a safra de inverno pode garantir o abastecimento até outubro. No entanto, a tendência de preço da energia elétrica e a alta do adubo nitrogenado, importado, devem manter o custo de produção pressionado em alta. O próximo relatório da Conab, previsto para 15 de junho, deve trazer o recorte das safras de verão e a expectativa de plantio para o ciclo 2026/27.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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