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Acre entrega 113 mil declarações de IR; restituição supera 64%

Estado tem taxa de quem paga imposto menor que a de quem recebe dinheiro de volta; Pix dominou os recebimentos.

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Renato Lobo
Acre · AM
31 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 741 palavras
Contribuinte utiliza computador para enviar declaração do Imposto de Renda 2026 em Rio Branco.
Estado tem taxa de quem paga imposto menor que a de quem recebe dinheiro de volta; Pix dominou os re · Foto: Redação Nortícia

O Acre encerrou o ciclo de entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 com um total de 113.150 contribuintes — número que representa praticamente a totalidade do universo estimado pela Receita Federal para o estado, descontando os casos de isenção obrigatória. Segundo o painel oficial divulgado ontem, o cumprimento do prazo até a última sexta-feira (29) coloca o Acre em linha com a média nacional de adesão, mas com um indicador econômico específico: 64,7% das declarações resultarão em restituição.

Para entender a dimensão desse dado: é uma taxa de retorno superior à média observada em estados com renda per capita mais alta, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde a base de declarantes tem maior volume de rendimentos tributáveis e investimentos financeiros, o que aumenta a probabilidade de saldo a pagar. No Acre, apenas 21,7% dos declarantes tiveram imposto a pagar, enquanto 13,6% ficaram na neutralidade (sem imposto a pagar ou restituir). Esse perfil sugere uma estrutura de renda onde o assalariado formal predomina sobre o capital autônomo, refletindo a realidade da economia acreana.

A maior parcela do dinheiro que vai voltar aos cofres do acreano deve chegar via Pix. O Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), adotado pela Receita Federal desde o ano anterior, foi escolhido por 77,9% dos contribuintes do estado para receber a restituição. A migração massiva para o Pix — que no ano passado ainda disputava espaço com a conta corrente e a poupança — acelera o consumo local, já que o dinheiro cai na conta em questão de segundos, diferentemente da antiga tabela de crédito em conta bancária que seguia o cronograma de lotes.

Outro dado que chama a atenção dos economistas é o uso da declaração pré-preenchida. No Acre, 61,5% das declarações utilizaram o modelo, que já vem carregado com as informações enviadas por bancos, empresas de saúde e empregadores. "A alta adesão ao pré-preenchido diminui a incidência de erros de digitação e, consequentemente, reduz o risco de cair na malha fina", explica Carlos Mendes, economista do Departamento de Ciências Contábeis da UFAC. Ele ressalta, porém, que o contribuinte precisa estar atento: "o pré-preenchido é um rascunho. Se o contribuinte omitiu dados de renda ou gastos dedutíveis ao longo do ano, a declaração pré-preenchida trará essa inconsistência".

Ainda sobre a metodologia, 56,1% optaram pelo modelo simplificado, que oferece um desconto padrão de 20% sobre a base de cálculo limitado a R$ 16.754,34, independentemente de quanto o contribuinte gastou efetivamente com despesas dedutíveis, como saúde e educação. A escolha pelo simplificado pode indicar que, em muitos casos, os gastos dedutíveis não superam o valor do desconto padrão — uma realidade comum em regiões onde o custo da saúde privada é menor ou o acesso limitado, ou onde a estrutura de gastos com educação (mensalidades escolares e faculdades) consome parcela significativa da renda, mas nem sempre ultrapassa o teto da dedução legal.

No contexto macroeconômico, a arrecadação do IR no Norte reflete a dependência de transferências federais. Como a capacidade de arrecadação própria dos estados da região é historicamente menor devido à concentração de serviços e indústria em outras regiões, o IR representa um canal de retorno de recursos via FPE (Fundo de Participação dos Estados) e através da própria restituição que injeta liquidez no comércio local de Rio Branco, Cruzeiro do Sul e outros municípios.

Especificamente sobre as deduções, o economista alerta para a particularidade dos gastos com saúde no interior da Amazônia. Muitas vezes, o contribuinte precisa deslocar-se para capitais vizinhas ou até para Brasília para tratar doenças graves. Esses gastos de viagem, quando comprovados, podem ser deduzidos como despesas médicas, uma tática que o pré-preenchido muitas vezes não capta automaticamente. "Cabe ao contribuinte acreano revisar se os deslocamentos médicos, inclusive de acompanhante, estão lançados. O sistema computa o exame, mas muitas vezes ignora a passagem ou o combustível, o que faz diferença na base de cálculo", completa Mendes.

O perfil do contribuinte acreano também mostrou leve equilíbrio de gênero: 49,9% das declarações foram feitas por mulheres. A média de idade de quem declarou no estado é de 46 anos. Esse número aponta para uma força de trabalho que está no auge da produtividade ou próxima dela, sustentando a arrecadação previdenciária e de imposto de renda que, por sua vez, financia os serviços públicos do estado. Agora, encerrada a fase de entrega, o próximo marco econômico para o contribuinte é o calendário de restituições, com previsão do primeiro lote para junho.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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