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Agro do Acre cresce 4%, mas produtividade ainda é metade da média nacional

Enquanto rebanho bovino bate recorde no estado, custo de frete e falta de infraestrutura limitam ganhos reais do produtor rural.

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Renato Lobo
Acre · AM
31 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 604 palavras
Gado Nelore pastando em área de manejo no interior do Acre, com floresta de fundo.
Enquanto rebanho bovino bate recorde no estado, custo de frete e falta de infraestrutura limitam gan · Foto: Redação Nortícia

O rebanho bovino do Acre encerrou 2025 atingindo a marca histórica de 1,38 milhão de cabeças, um crescimento nominal de 4,2% em relação ao ano anterior — um número que soa robusto, mas que esconde uma eficiência produtiva ainda inferior à média do Centro-Oeste. Os dados, compilados pelo Instituto de Defesa Agropecuária do Acre (IDAC) e repercutidos no levantamento Amazônia Agro deste domingo, indicam que o estado avança na quantidade, mas esbarra na qualidade do manejo e na logística de escoamento.

Para colocar o número em perspectiva: enquanto o Acre registra uma lotação média de aproximadamente 1,2 cabeças por hectare em pastagens cultivadas, Mato Grosso — o padrão ouro do pecuária brasileira — opera com médias acima de 3 animais na mesma área. Em termos econômicos, isso significa que o custo da arroba produzida no Acre carrega um ônus de terra maior, diluindo a margem de lucro do pecuarista em um cenário de custos de insumos em alta.

O impacto dessa produtividade relativa baixa chega direto ao bolso do consumidor de Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Mesmo com um estoque de animais maior, o preço da carne no atacado no estado não acompanhou a deflação observada em outros polos produtores. A explicação técnica está no "frete-retorno" na BR-364. O custo logístico para transportar insumos (como o milho e o sal mineral) do Centro-Oeste para o Acre encarece a engorda, e o retorno da carne bovina para os centros consumidores nacionais é limitado pela distância, criando um mercado relativamente isolado.

Entretanto, o levantamento aponta um movimento interessante na diversificação da matriz produtiva que pode compensar a defasagem pecuária: a bioeconomia. A extração de látex e a produção de óleos florestais (como andiroba e copaíba) apresentaram um faturamento agregado de R$ 45 milhões no último ano, alta de 12% ajustada pela inflação. Para uma economia que historicamente dependeu da madeira e do gado, essa cifra sugere uma transição lenta, porém consistente, para o que economistas chamam de "floresta em pé".

"O agro acreano está numa encruzilhada técnica. Temos território, mas a tecnologia de manejo chega com dez anos de atraso em relação ao Mato Grosso. O ganho recente vem mais da expansão de fronteira do que de ganho de eficiência", analisa o economista agrícola João Alencar, doutor pela UFAC e pesquisador de cadeias produtivas na Amazônia Ocidental. Segundo ele, a pressão por conservação ambiental — com o Acre mantendo taxas de desmatamento historicamente menores que vizinhos como Pará e Rondônia — força o produtor a buscar viabilidade econômica em sistemas agroflorestais, que têm retorno financeiro mais longo, mas exigem menos capital de giro.

Outro ponto de atenção levantado nos dados é o emprego rural. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) aponta que, apesar do crescimento do rebanho, o setor formal do agro no Acre gerou apenas 150 novas vagas líquidas no período. Isso indica uma modernização que não necessariamente absorve mão de obra local, ou que o crescimento do rebanho está concentrado em propriedades já estabelecidas que não ampliaram o quadro de funcionários.

Resta saber se o Estado conseguirá converter o potencial da bioeconomia em escala comercial. Hoje, a produção de óleos florestais ainda é majoritariamente artesanal, o que limita o acesso a grandes mercados internacionais que exigem certificações de rastreabilidade que o cooperativismo local ainda não tem capilaridade para fornecer em volume.

Os próximos indicadores a serem monitorados saem em junho, com a divulgação do PIB municipal do IBGE. Se o agro confirmar o papel de motor da economia acreana, espera-se que o investimento em infraestrutura logística — sobretudo no asfaltamento de trechos vicinais — ganhe prioridade na discussão orçamentária de 2027.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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