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Rondônia Rural Show registra R$ 4,5 bi em negócios, mas recua 11,8% frente a 2025

Feira de Ji-Paraná teve queda na movimentação financeira e no público, sinalizando cautela do produtor em cenário de juros altos.

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Renato Lobo
Rondônia · AM
31 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 564 palavras
Pavilhão do Centro Tecnológico Vandeci Rack lotado de visitantes durante a 13ª edição da Rondônia Rural Show.
Feira de Ji-Paraná teve queda na movimentação financeira e no público, sinalizando cautela do produt · Foto: Redação Nortícia

A 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional contabilizou R$ 4,5 bilhões em intenções de negócios em 2026, uma retração nominal de 11,8% na comparação com os R$ 5,1 bilhões registrados em 2025, de acordo com o balanço oficial divulgado pelo Governo de Rondônia. O número sinaliza um resfriamento no aquecimento recente da feira, que vinha batendo recordes sucessivos no pós-pandemia, ainda que o montante continue a situar o evento de Ji-Paraná como um dos principais polos de negociação do agro no Norte do país.

Para colocar o dado em perspectiva, os R$ 4,5 bilhões negociados em seis dias representam um volume de capital que supera o faturamento anual de grande parte das indústrias de eletroeletrônicos do Polo Industrial de Manaus (PIM). Contudo, a tendência de desaceleração acompanha o cenário macroeconômico nacional. Diferente de 2025, quando o mercado absorvia preços altos de grãos e equipamentos com mais facilidade, o ciclo de 2026 mostra um produtor mais cauteloso. A queda no público, de 430 mil para 410 mil visitantes — uma redução de 4,6% — corrobora a tese de aperto na margem do produtor rural e maior racionalidade nos gastos de custeio e investimento.

A evolução histórica da feira ilustra a volatilidade intrínseca ao setor. A primeira edição, em 2012, movimentou R$ 186 milhões. Houve um crescimento consistente até 2019 (R$ 700 milhões), seguido pela interrupção forçada pela pandemia em 2020 e 2021. A retomada a partir de 2022 foi explosiva: o volume saltou de R$ 2,6 bilhões para picos acima de R$ 5 bilhões em poucos anos. A correção deste ano para R$ 4,5 bilhões sugere que o mercado está buscando um novo patamar de equilíbrio após o efeito rebote pós-Covid. É fundamental lembrar tecnicamente que "intenção de negócios" — métrica utilizada pela organização — não é equivalente a contratos efetivamente liquidados. Em anos de juros altos e crédito rural mais caro, a taxa de execução dessas carteiras de pedidos tende a sofrer maior evasão do que em cenários de financiamento farto.

Do ponto de vista de política pública, o estado aportou R$ 26 milhões na infraestrutura do Centro Tecnológico Vandeci Rack. Trata-se de um investimento estatal para viabilizar a logística do evento, funcionando como um subsídio indireto ao setor para reduzir os custos de transação. O retorno para a cadeia produtiva local, contudo, é imediato: a hotelaria e o comércio de Ji-Paraná capitalizam a presença de centenas de milhares de pessoas. O que o balanço não detalha é o quanto desse R$ 4,5 bi é composto por vendas maquinário pesado versus insumos, uma distinção crucial para analisar a produtividade futura. A compra de tratores e colheitadeiras indica investimento em capacidade produtiva de longo prazo, enquanto a compra de defensivos e adubos refere-se ao custeio da safra atual.

Na visão de analistas de mercado, a queda de R$ 600 milhões na roda de negócios não deve ser lida como crise, mas como ajuste de expectativa. O agronegócio responde por cerca de 20% do PIB de Rondônia, e a feira funciona como um termômetro da confiança do produtor. Se os R$ 4,5 bilhões se converterem em produção recorde na safra que se inicia, a retração na feira será apenas um detalhe estatístico. O próximo teste de fogo para o setor rondoniense virá com os dados de exportação de grãos e carnes do segundo semestre, que definirão se a cautela de 2026 foi exagerada ou preventiva.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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