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Nortícia CidadesTragédia em São Luiz

Corpo de idoso é encontrado três dias após canoa naufragar no rio Anauá

João Maria Guilherme Zeferino, de 67 anos, desapareceu no domingo (14). O corpo foi localizado a 12,5 km do local do acidente.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
18 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 445 palavras
Equipe de resgate do Corpo de Bombeiros navega pelo rio Anauá durante buscas em São Luiz (RR).
João Maria Guilherme Zeferino, de 67 anos, desapareceu no domingo (14). O corpo foi localizado a 12, · Foto: Redação Nortícia

João Maria Guilherme Zeferino, 67 anos, subiu na canoa no domingo (14) para ir até o sítio da família, perto da vicinal 13, em São Luiz, no sul de Roraima. Ele não voltou. O corpo dele só saiu das águas barrentas do rio Anauá na manhã desta quarta-feira (17). Foi encontrado na vicinal 10, a cerca de 12,5 km de onde a embarcação afundou, segundo o Corpo de Bombeiros.

A travessia que parecia rotineira virou tragédia nas proximidades da Vila Moderna. Segundo testemunhas que estavam na margem do rio na hora do acidente, a canoa virou rápido. João estava com uma mulher. Ela conseguiu nadar até a margem e se agarrou em galhos de árvores para sobreviver. Ele não teve a mesma sorte. A correnteza do Anauá levou tudo.

Foram três dias de angústia e busca incessante. O Corpo de Bombeiros de Roraima (CBMRR) informou que quatro militares e duas lanchas da corporação trabalharam no resgate. A Marinha do Brasil também mandou quatro marinheiros para reforçar o rastreamento. Mas quem manteve a esperança viva nos primeiros momentos foram os próprios moradores.

Quatro embarcações de familiares e vizinhos cruzaram o rio durante a madrugada e o dia. Em São Luiz, a rede de apoio é forte; quando alguém some na água, todo mundo para o que está fazendo para ajudar a procurar. A união entre o CBMRR, a Marinha e os voluntários foi fundamental para localizar o corpo numa área extensa e de difícil acesso.

O trecho do rio Anauá entre a vicinal 13 e a 10 é traiçoeiro. A correnteza empurra tudo para jusante, o que explica a distância de 12 quilômetros entre o naufrágio e o achado. Para quem vive ali, o rio é estrada, supermercado e laço comunitário, mas exige respeito e técnica. O uso de coletes salva-vidas ainda é uma luta constante entre os agentes de defesa civil e os ribeirinhos mais antigos, que confiam na experiência de navegação acumulada por décadas.

São Luiz é um município agrícola, e o deslocamento de canoa entre as propriedades rurais é o dia a dia de centenas de famílias. Não é a primeira vez que o Anauá cobran um pedágio alto. A informação chega tardia e às vezes não chega. O que fica é o alerta na beira do rio: checar o estado da embarcação e respeitar o nível da água são regras básicas que salvam vidas.

O corpo de João Maria foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Boa Vista para os procedimentos legais. A família segue em luto na comunidade da Vila Moderna. Em caso de emergências nas águas de Roraima, o número de contato do Corpo de Bombeiros é o 193.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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