Corpo de homem é encontrado boiando em rio do Curiaú, em Macapá
Vítima não identificada foi resgatada pelo CBM; Polícia Científica investiga causa da morte e sinais de violência em Macapá.
A Polícia Científica do Amapá (PCA) assumiu na manhã desta quarta-feira (3) a investigação sobre o encontro de um cadáver nas águas de um rio que corta a comunidade do Curiaú, na zona Norte de Macapá. O resgate do corpo foi conduzido por uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar (CBM-AP), após alerta de moradores da região.
De acordo com o Major Izídio Júnior, do CBM, a guarnição estava em deslocamento para uma missão de manejo ambiental — a soltura de um ofídio (cobra) capturado na zona urbana — quando recebeu a informação por rádio sobre a presença de um objeto flutuante no curso d'água. Ao chegar ao local, os militares confirmaram tratar-se de um corpo humano. O procedimento padrão de resgate aquático foi acionado imediatamente, com a retirada da vítima e o isolamento da área até a chegada da perícia.
Após o resgate, a responsabilidade pelo caso foi transferida para a Polícia Científica, que coordenou o transporte do corpo ao Instituto Médico Legal (IML). A equipe de peritos deverá realizar exames necroscópicos detalhados para determinar a causa da morte (causa mortis) e estimar o intervalo post-mortem, ou seja, o tempo em que a vítima estava no rio. Considerando que o corpo foi encontrado em meio aquático, a investigação médica buscará descartar ou confirmar hipóteses como afogamento, seja por acidente ou por intervenção de terceiros, além de verificar a existência de lesões traumáticas que indiquem violência física antes da submersão.
Paralelamente aos exames técnicos, a Polícia Civil, através da delegacia responsável pela circunscrição do Curiaú, instaura procedimento para apurar as circunstâncias do óbito e tentar identificar a vítima. Como o corpo não portava documentos no momento do resgate, a investigação policial foca na análise das características físicas (idade aparente, altura, sinais particulares, vestuário e calçados) para cruzar com os registros de pessoas desaparecidas (PDES) nos últimos dias no estado do Amapá. A polícia também colheu depoimentos de moradores que participaram do achado para reconstituir a linha do tempo.
A região do Curiaú, conhecida pela sua comunidade quilombola e vasta rede hídrica, apresenta características geográficas que influenciam na conservação do material biológico e na logística de acesso. O calor e a umidade da região amazônica aceleram os processos de decomposição, o que pode complicar a análise pericial se o corpo estiver submerso há longo período. Agentes locais informaram que não havia registros recentes de conflitos ou desaparecimentos não esclarecidos na imediata vizinhança do local do achado, o que mantém a investigação aberta para hipóteses diversas.
Até o fechamento deste conteúdo, o corpo permanecia no IML aguardando a conclusão dos laudos. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que, caso a identificação não ocorra em breve, o IML poderá realizar exames de DNA e arcada dentária. Enquanto a família não for localizada, o inquérito policial segue tramitando em sigilo para preservar a dignidade da vítima e a eficácia das investigações.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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