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Busca por correção de documentos explode no Amazonas e chega a 75 mil em um ano

Dados da Defensoria mostram aumento de 900% em cinco anos; idosa descobre erro de sexo na certidão ao tentar voltar a usar nome de solteira em Manaus.

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Ananda Rocha
Amazonas · AM
05 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 478 palavras
Mãos seguram certidões de nascimento e carteiras de identidade sobre mesa de atendimento em cartório.
Dados da Defensoria mostram aumento de 900% em cinco anos; idosa descobre erro de sexo na certidão a · Foto: Redação Nortícia

Ivanilde Souza da Silva estava na fila do Cartório de Registro Civil, na zona Centro-Sul de Manaus, para uma tarefa que parecia simples: retirar o sobrenome do ex-marido dos seus documentos. A aposentada queria voltar a usar o nome de solteira. No meio da burocracia, descobriu um erro que atravessava décadas. A certidão de nascimento dela, que ela guardava há uma vida, a identificava como sendo do sexo masculino.

"Eu fiquei muito surpresa porque eu nasci mulher. Passa um filme na cabeça da gente, né?", contou Ivanilde. O erro, feito no momento do registro, passou despercebido por anos até que aquela atualização do estado civil o trouxe à tona. Sem saber para quem recorrer, ela procurou a Defensoria Pública do Amazonas.

O caso de Ivanilde é apenas uma gota no oceano de uma demanda que não para de crescer. A fila para corrigir erros em registros civis no estado explodiu nos últimos anos. Dados da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) mostram que, em 2025, foram registrados 74.920 atendimentos só para retificação ou restauração de documentos. Esse número representa um aumento de quase dez vezes em comparação com 2020, quando o total de demandas foi de 7.509.

Quem mora na periferia sabe que um papel errado é a porta fechada para tudo. É o bolsa família que não cai, o posto de saúde que não atende, a vaga na escola que o filho não consegue. Um "i" a menos ou um sobrenome trocado trava a vida de quem mais precisa do apoio público. A maioria desses erros vem de antiguidade, de registros feitos à mão em fazendas ou em pequenos municípios do interior, onde a precisão não era regra.

A pressão no serviço é tanta que, só nos primeiros cinco meses de 2026, a Defensoria já contabilizou 38.763 novos atendimentos. Isso significa mais da metade de todo o volume do ano anterior acumulado em menos de seis meses. A DPE-AM é a porta de entrada para quem não tem dinheiro para pagar advogado ou as custas de cartório, que podem ser salgadas dependendo da complexidade do caso.

Com o auxílio dos defensores, Ivanilde conseguiu corrigir o erro e recebeu a nova certidão. Agora ela está com os documentos em dia, mas sabe a sorte que teve de ter o serviço público do lado. A Defensoria atende gratuitamente e trabalha para limpar o passado civil dos amazonenses. O aumento da procura também vem do cruzamento de dados digitais do governo, que tem apontado mais inconsistências e obrigado as pessoas a regularizar a situação.

Quem precisa corrigir nome, data de nascimento ou até mesmo o gênero no registro civil deve procurar a Defensoria. Em Manaus, os atendimentos presenciais funcionam na sede, no bairro Flores. Para evitar filas gigantes, o ideal é antes ligar no número 156 ou acessar o site da DPE-AM para verificar a documentação necessária e a agenda disponível.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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