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Nortícia CidadesObra de R$ 36 mi cai

Juiz é ferido em desabamento de ponte em Sena Madureira, no Acre

Edinaldo Muniz, que fazia live criticando a estrutura inaugurada em 2023, e o irmão ficaram feridos; vítimas foram transferidas para Rio Branco.

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Ananda Rocha
Acre · AM
05 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 555 palavras
Estrutura de ponte caída sobre o leito do rio no interior do Acre.
Edinaldo Muniz, que fazia live criticando a estrutura inaugurada em 2023, e o irmão ficaram feridos; · Foto: Redação Nortícia

Edinaldo Muniz segurava o celular com a mão esquerda e equilibrava-se na passarela com a direita. Era o começo da noite desta sexta-feira (5) em Sena Madureira, no interior do Acre, e o juiz aposentado, de 64 anos, estava em mais uma de suas fiscalizações virtuais. Ele apontava a câmera para os pilares da ponte Frei Paolino Baldassari, uma obra de R$ 36 milhões inaugurada com festa no fim de 2023. "Uma obra dessa, a gente espera que dure décadas, mas essa, durou só dois anos", disse Edinaldo para a tela. Minutos depois, o celular dele estava no fundo do rio e o juiz, com o corpo estraçalhado nas pedras da margem.

O estrondo ecoou pela cidade. A ponte que liga o centro de Sena Madureira a bairros residenciais e zonas rurais simplesmente cedeu. Junto com Edinaldo, que acumula mais de 17 mil seguidores no Instagram com seu bordão "vereador voluntário", caiu o irmão dele, o advogado Edinei Muniz. Mais duas pessoas que passavam pelo local naquele momento também foram atingidas. Não foi acidente de trânsito, não foi enchente: foi o concreto que falhou.

Os quatro feridos foram socorridos e levados ao Hospital João Câncio Fernandes. A cena no pátio do hospital era de tensão. Um vídeo capturado por testemunhas mostra o advogado Edinei sentado em uma maca, com o braço esquerdo fraturado, recebendo os primeiros socorros, ainda em choque com a queda. A Secretaria de Estado de Saúde confirmou que Edinaldo teve fraturas graves e precisou ser estabilizado antes de ser transferido de helicóptero para a capital, Rio Branco.

A obra, entregue há pouco mais de 18 meses, era motivo de orgulho oficial — até virar motivo de vergonha e perigo. Edinaldo não estava lá por acaso. Ele fazia denúncias recorrentes sobre a estrutura. Moradores da região dizem que trechos da ponte já mostravam rachaduras e desníveis que a prefeitura tratava como "manutenção rotineira". Mas não há rotina que aguente um desabamento desses sem deixar dúvidas sobre a origem do material ou a fiscalização da obra.

Para o morador que precisa pegar o ônibus naquela região, o impacto é direto. A ponte Frei Paolino Baldassari não era apenas um viaduto bonito para foto; era o acesso mais rápido para quem precisa chegar ao mercado, à escola ou ao posto de saúde. Agora, o desvio significa quilômetros a mais de estrada de terra e tempo que falta no fim do dia. Quem tem carro se adapta, mas quem depende de transporte público ou da própria caminhada fica refém da burocracia da reconstrução.

A pergunta que não quer calar na boca do povo em Sena Madureira é sobre a responsabilidade. Uma obra cara e nova não cai se as especificações técnicas forem cumpridas. O Governo do Estado e a Prefeitura precisam sentar à mesa e abrir os contratos. A promessa de desenvolvimento vira risco de morte quando o material usado não aguenta o peso do próprio concreto.

Enquanto a engenharia não explica o inexplicável, a população precisa se organizar. A Prefeitura de Sena Madureira informou que vai montar um plano de emergência para o tráfego, mas nada substitui a passagem segura. O atendente da ouvidoria municipal, pelo telefone (68) 3301-1100, deve estar pronto para anotar as reclamações de quem tem medo de atravessar e de quem quer saber onde foram parar os 36 milhões de reais.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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