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Ponte desaba em Sena Madureira e deixa feridos graves no Acre

Estrutura caiu na noite desta sexta; três vítimas foram transferidas para Rio Branco.

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Ananda Rocha
Acre · AM
06 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 663 palavras
Restos de ponte de madeira caídos sobre leito de rio no Acre.
Estrutura caiu na noite desta sexta; três vítimas foram transferidas para Rio Branco. · Foto: Redação Nortícia

Edinaldo Muniz, 54 anos, segurava o celular firmemente enquanto narrava uma live na ponte Frei Paolino Baldassari. Era começo de noite desta sexta-feira (5), em Sena Madureira, no interior do Acre. O juiz aposentado escolheu o local para transmissão, provavelmente pela vista do leito do rio que corta a cidade. Ninguém esperava o que aconteceu nos segundos seguintes. Uma câmera de segurança de um estabelecimento próximo registrou o instante: a estrutura de madeira estalou e o centro da passagem desabou. Na imagem, é possível ver a silhueta de um pedestre caindo junto com as tabuas. Não há confirmação oficial, mas a suspeita é de que a figura no vídeo seja o próprio Edinaldo, que sofreu ferimentos graves.

O barulho da madeira quebrando e o baque da estrutura na água interromperam a rotina da região. Quatro pessoas estavam na ponte no momento do colapso. A primeira resposta não veio das sirenes, mas dos vizinhos. Ao ouvir o estrondo, moradores que estavam nas casas próximas correram para a margem do rio. Em Sena Madureira, a solidariedade é rápida. Gente entrou na água, ajudou a retirar os corpos dos escombros flutuantes e prestou os primeiros socorros nas pedras da beira, enquanto outros ligavam pedindo ajuda.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros chegaram em seguida. As quatro vítimas foram levadas imediatamente para o Hospital João Câncio Fernandes, a unidade de saúde de referência na cidade. A equipe médica encontrou um cenário de gravidade elevada. Dois pacientes entraram em estado grave, e a equipe logo acionou o protocolo de transferência para Rio Branco, a capital do estado. A distância é de quase 180 quilômetros pela BR-317, uma rodovia que, neste momento, se transformou num corredor de emergência.

O boletim médico mais recente lista três vítimas em transferência. Além de Edinaldo, que sofreu traumatismo craniano e traumas internos abdominais e renais, está Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos. O estado de Antônio foi classificado como gravíssimo. O terceiro paciente, cujo nome ainda não foi divulgado, também segue para a capital para receber atendimento de alta complexidade. A quarta vítima permanece internada em Sena Madureira, em estado estável, mas sob observação.

A ponte Frei Paolino Baldassari não era apenas um artefato de engenharia; era um elo. Para quem mora nas margens do rio, a passagem é o caminho mais curto para o trabalho, para a escola e para o comércio local. Com a interdição total causada pela queda, o deslocamento vai exigir rotas alternárias, que somam quilômetros extras ao dia a dia de centenas de famílias. Pontes de madeira são comuns no interior do Acre, essenciais para a ligação entre comunidades que o asfalto ainda não alcançou. O desgaste natural dessas estruturas é uma preocupação constante dos moradores, que cobram vistorias frequentes.

A Defesa Civil de Sena Madureira isolou a área. O risco de novos desmoronamentos nos pilares que ainda estão de pé é real, e por isso o acesso ao local foi proibido. Técnicos da prefeitura estão aguardando o dia clarear para começar a vistoria subaquática e estrutural. A dúvida que fica na cabeça da população é: quanto tempo vai levar para reconstruir ou colocar uma balsa? Enquanto isso, o fluxo de pessoas e veículos depende de improvisos.

A cidade respira aliviada por o número de vítimas não ter sido maior, mas a preocupação com a infraestrutura local cresceu. A noite de sexta-feira terminou com muitas luzes acesas nas casas ao redor da ponte. O barulho das águas do rio voltou a ser o único som, onde antes havia o ruído dos passos e dos carros. O Hospital João Câncio continua em alerta, acompanhando os casos graves que seguem viagem para Rio Branco.

A prefeitura informou que está mobilizando recursos para atender a população afetada pelo corte da via. Moradores que precisam passar informações sobre locais estratégicos para desvios ou que precisam de ajuda com transporte podem procurar a Secretaria Municipal de Obras ou acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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