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Delegado prestes a se aposentar morre em acidente na BR-319 em Porto Velho

Sérgio Barbosa Neto dedicou 41 anos à Polícia Civil de Rondônia e tinha comemorado aniversário recentemente.

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Ananda Rocha
Rondônia · AM
29 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 520 palavras
Viatura policial envolvida em acidente na BR-319, em Porto Velho.
Sérgio Barbosa Neto dedicou 41 anos à Polícia Civil de Rondônia e tinha comemorado aniversário recen · Foto: Redação Nortícia

O delegado Nilson Pimentel ouviu o som da notícia pelo rádio da viatura, ainda na BR-319. Era o fim da tarde de quinta-feira (28) e o nome que ecoava na frequência era o de Sérgio Barbosa Neto. O colega, parceiro de inquéritos no Departamento de Narcóticos, acabava de morrer em um acidente de trânsito na rodovia que corta Porto Velho, aos 68 anos.

A viatura em que Barbosa Neto viajava capotou no km 10 da BR-319, zona rural da capital. Ele estava sozinho. O impacto foi forte o suficiente para interromper uma trajetória de 41 anos na Polícia Civil de Rondônia. Mais do que um delegado, Barbosa Neto era um servidor que entrava na delegacia antes do horário e saía com o processo debaixo do braço.

A carreira dele começou no dia 1º de novembro de 1984. Quatro décadas atrás. Desde então, Barbosa Neto viu a Polícia Civil mudar de sede, de presidente e de métodos. Ele passou pela Academia de Polícia Civil (Acadepol), onde formou gerações de novos investigadores, e comandou delegacias no interior de Rondônia. Quem trabalhou com ele no interior lembra das visitas técnicas improdutivas, onde ele revia o caso passo a passo com o delegado local.

"Ele marcava época pela dedicação. Não era um chefe que ficava na sala; ele ia para rua", relembra um policial civil que atuou sob seu comando no Departamento de Polícia Especializada (DPE). A descrição é compartilhada por colegas da Corregedoria-Geral, onde Barbosa Neto também deixou sua marca no apuramento de faltas disciplinares.

O toque mais triste da história fica por conta das datas. No último dia 18 de maio, dez dias antes do acidente, Barbosa Neto completou 68 anos. O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de Rondônia (Sindepro) fez uma publicação nas redes sociais para parabenizá-lo. O comentário que ele deixou, agora, soa como um adeus involuntário: "Agradeço a todos as mensagens. Sirvo ainda desta data para desejar que todos possamos continuar na luta pela dignidade da nossa categoria. Aposentadoria está próxima".

A aposentadoria, esperada com festa, virou luto. A Polícia Civil decretou luto oficial de três dias. A nota da corporação ressalta que ele dedicou mais de quatro décadas à causa policial, servindo ao estado de Rondônia com honra.

Barbosa Neto era nascido e criado em Porto Velho. Conhecia cada curva da BR-319, cada bairro da capital e cada flor do cerrado rondoniense. No comando do Denarc, enfrentou o aumento do tráfico na fronteira. Na DPE, lidou com crimes complexos que exigiam olho clínico.

Para a família, restam as lembranças do aniversário recente. Para os colegas da Polícia Civil, o gabinete vazio no comando e a saudade das orientações técnicas de quem não media esforços para resolver o inquérito. O enterro acontece no Cemitério São João Batista, em Porto Velho, precedido de velório no Salão Nobre da Polícia Civil.

O trânsito na BR-319 seguiu fluindo depois do resgate, mas quem passava pelo local observava os destroços da viatura e parava para pensar. Na vida agitada de uma capital do Norte, a partida de alguém que serviu por 41 anos deixa um silêncio que as sirenes não conseguem cobrir.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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