Detento foge de unidade em Boa Vista e é recapturado poucos minutos depois
Joelson Santos Silva evadiu-se durante atividade na escola da unidade e foi detido no bairro Said Salomão; ele cumpre pena por homicídio.
O detento Joelson Santos da Silva, de 21 anos, evadiu-se na manhã deste sábado (30) da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), maior complexo prisional de Roraima, e foi recapturado por agentes penais cerca de 20 minutos depois no bairro Said Salomão, na zona Norte de Boa Vista. A fuga ocorreu por volta das 9h, enquanto o preso participava de uma atividade pedagógica na escola interna da unidade.
De acordo com o registro da ocorrência, Silva, que utiliza o apelido de "Maconha" no sistema prisional, aproveitou um momento de distração durante a condução para retirar a algema de uma de suas mãos. Em seguida, o detento correu em direção ao muro perimetral da ala de escolas e conseguiu transpô-lo, iniciando fuga a pé pela via pública que dá acesso ao complexo.
A equipe de vigilância da Pamc acionou o dispositivo de segurança imediatamente, e um grupo de agentes penais iniciou a perseguição pelo bairro Said Salomão, que faz divisa direta com a estrutura do presídio. A recaptura foi concluída com sucesso sem registro de troca de tiros ou resistência física que resultasse em ferimentos. O detento foi submetido a revista de segurança e reintegrado ao pavilhão de origem.
Joelson Santos Silva cumpre pena na Ala 7 da Pamc, setor destinado a presos em regime fechado condenados por crimes de alta gravidade. Ele foi sentenciado a mais de 28 anos de reclusão pela prática de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A condenação refere-se ao assassinato de Melquesedeque Ferreira Alves, então com 23 anos, cometido no município de Rorainópolis, no interior de Roraima, no ano de 2020. Na ocasião, a vítima foi morta e teve o corpo esquartejado, crime que gerou grande repercussão na região sul do estado.
A Penitenciária Agrícola de Monte Cristo concentra a maior parte da população carcerária masculina de Roraima. A unidade, administrada pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), opera frequentemente próximo ou acima da capacidade máxima, o que exige rigorosa gestão de escoltas e monitoramento, especialmente durante atividades de ressocialização que exigem a movimentação de presos para áreas comuns, como a escola e os galpões de trabalho.
A fuga, embora rápida e contida, expõe a tensão constante entre as políticas de ressocialização — que prevêm o acesso à educação — e a necessidade de segurança máxima no trânsito de internos com penas longas e histórico de violência. A Ala 7, onde Silva estava alojado, abriga detentos que requerem vigilância reforçada devido ao perfil dos delitos.
A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) foi procurada para esclarecer se o incidente resultará em abertura de sindicância para apurar a conduta dos agentes responsáveis pela escolta ou falhas estruturais no muro perimetral da área escolar. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno oficial da pasta sobre as medidas administrativas adotadas após o episódio. O caso segue registro na direção da unidade para fins de relatório de segurança.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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