Dois detentos morrem após passarem mal no Cadeião, em Macapá
Vítimas estavam em pavilhões distintos, mas apresentaram sintomas semelhantes. Iapen aguarda laudo da Polícia Científica para esclarecer causas.
Dois detentos do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) morreram na noite desta quarta-feira (3) após passarem mal no interior da Penitenciária Estadual do Amapá, unidade conhecida como Cadeião. Segundo informações preliminares da direção do presídio, as vítimas, que cumpriam pena em pavilhões distintos, receberam atendimento médico, mas não resistiram.
O plantão da segurança penal detectou o quadro de saúde debilitado dos internos em momentos próximos, embora eles estivessem alojados em áreas diferentes do complexo. De acordo com o procedimento padrão da casa, os agentes penais acionaram o serviço de saúde prisional e o transporte foi providenciado para encaminhar os detentos à unidade de saúde do bairro Marabaixo 2, localizada na Zona Oeste de Macapá, próxima ao complexo. A confirmação dos óbitos ocorreu no local de atendimento.
A assessoria do Iapen informou, por meio de nota oficial, que as causas das mortes ainda são desconhecidas e que a administração aguarda o laudo da Polícia Científica do Amapá (PCA) para concluir sobre o que teria provocado o mal-estar súbito. O fato de os detentos estarem em alas separadas, mas apresentarem sintomas semelhantes, acendeu um alerta na gestão da unidade, que descarta ou investiga hipóteses como intoxicação alimentar, reação a substâncias ou problemas de saúde preexistentes agudizados.
Como medida imediata de segurança e preservação de local, a direção do Cadeião determinou o isolamento das celas anteriormente ocupadas pelos dois detentos. O objetivo é permitir que peritos da PCA analisem o ambiente caso necessário para a elucidação do caso. Além disso, os demais detentos que compartilhavam os mesmos pavilhões foram remanejados preventivamente para outras alas da penitenciária. O procedimento visa garantir a ordem interna e evitar possíveis tensões entre a população carcerária após a notícia das mortes.
A Polícia Científica será responsável pela realização dos exames de corpo de delito e necroscópico. Os laudos periciais deverão apontar se houve participação de terceiros, ingestão de substâncias tóxicas ou se os óbitos decorreram de causas naturais. Enquanto os exames não são concluídos, o caso é tratado como morte a esclarecer no âmbito do sistema de justiça criminal.
O Cadeião é a principal unidade de custódia do estado e abriga a maior parte da população carcerária masculina. Episódios de morte em custódia geralmente passam por rigoroso crivo para atestar a conduta da gestão penitenciária e a tempestividade do atendimento médico oferecido aos presos. Esta reportagem entrou em contato com a PCA para saber o prazo estimado para a entrega dos laudos, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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