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Mulher morre após ser baleada por vereador em Ourilândia do Norte; caso é feminicídio seguido de suicídio

Vítima faleceu na tarde desta quinta (4); ex-marido foi encontrado morto logo após crime em escritório de advocacia.

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Diego Câmara
Pará · AM
04 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 584 palavras
Viaturas da Polícia Civil permanecem estacionadas em frente ao hospital de Ourilândia do Norte.
Vítima faleceu na tarde desta quinta (4); ex-marido foi encontrado morto logo após crime em escritór · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Civil do Pará investiga a morte de Icicléia Alves Veloso, 41 anos, como feminicídio seguido de suicídio. O crime ocorreu na manhã desta quarta-feira (3), no município de Ourilândia do Norte, no sudeste paraense. A vítima foi alvejada por disparos de arma de fogo dentro de um escritório de advocacia enquanto assinava a escritura de divórcio do ex-marido, Romildo Veloso e Silva, de 58 anos. O autor do crime, que ocupava o cargo de vereador e foi prefeito da cidade, foi encontrado morto poucas horas após o ataque.

Icicléia foi levada em estado gravíssimo ao Hospital Regional da PA-279. A equipe médica informou que ela sofreu traumatismo cranioencefálico de alta energia. A vítima passou por neurocirurgia de emergência, mas evoluiu para morte encefálica confirmada na tarde desta quinta-feira (4). Segundo boletim médico, a causa mortis foi parada cardiorrespiratória irreversível decorrente das lesões balísticas. O corpo da vítima será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Marabá para realização de necropsia e exames complementares.

O crime aconteceu por volta das 9h30. Testemunhas informaram à polícia que o clima era tenso, mas que ninguém esperou uma reação violenta. Romildo Veloso e Silva sacou uma arma de fogo e efetuou dois tiros contra Icicléia a curta distância. Em seguida, deixou o local. A Polícia Militar foi acionada e iniciou buscas. O corpo do ex-prefeito foi localizado em uma residência na zona rural, com um ferimento na cabeça compatível com disparo autoinfligido. A arma, presumivelmente a mesma utilizada no crime, estava ao lado do corpo.

A Delegacia de Homicídios de Ourilândia do Norte lavrou o Auto de Prisão em Flagrante post-mortem e instaurou Inquérito Policial para apurar a autoria e materialidade. Peritos do Instituto de Criminalística (IC) realizaram o levantamento de cena no escritório de advocacia e no local onde o corpo de Romildo foi encontrado. A polícia colheu depoimentos de advogados, funcionários do cartório e familiares. A investigação busca entender se havia ameaças prévias registradas em boletim de ocorrência ou medidas protetivas da Lei Maria da Penha solicitadas pela vítima.

O caso chamou a atenção pela posição política do agressor. Romildo Veloso era figura proeminente na política local e exerceu o mandato de prefeito entre 2017 e 2020. Atualmente, era vereador. Em nota oficial, a Prefeitura de Ourilândia do Norte decretou luto oficial de três dias pela morte do ex-gestor. O velório de Romildo Veloso ocorreu na tarde desta quinta, na sede da Maçonaria, seguido de sepultamento. A iniciativa gerou desconforto em setores da sociedade civil, que argumentam que o ato oficial de luto deveria ser direcionado à vítima da violência doméstica.

A Lei nº 13.104/2015 alterou o Código Penal para qualificar o feminicídio como crime hediondo, cometido "contra a mulher por razões da condição de sexo feminino". O Ministério Público do Pará (MPE-PA) deverá ser oficiado para acompanhar o encerramento do inquérito. Como o autor do crime está morto, a ação penal não pode prosseguir, mas o registro é fundamental para as estatísticas de segurança pública. O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher informou que vai pedir uma apuração administrativa sobre a atuação da rede de proteção, caso haja registros anteriores de violência.

Ourilândia do Norte está localizada em uma região com índices elevados de criminalidade no interior do Pará. O assassinato de mulheres em contextos de separação conjugal é um padrão recorrente apontado por especialistas em segurança pública. A Polícia Civil segue com as perícias para fechar o inquérito, que deve ser arquivado após análise do Ministério Público, dada a morte do investigado.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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