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Filha é presa em Ipixuna do Pará por maus-tratos que resultaram na morte do pai

Polícia Civil investiga morte de idoso com sinais de desnutrição e hematomas em Ipixuna do Pará; filha foi autuada em flagrante.

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Diego Câmara
Pará · AM
04 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 659 palavras
Viatura da Polícia Civil estacionada em frente a hospital do interior do Pará.
Polícia Civil investiga morte de idoso com sinais de desnutrição e hematomas em Ipixuna do Pará; fil · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Civil do Pará deflagrou, na tarde desta quarta-feira (3), uma investigação para apurar as circunstâncias da morte de um idoso no município de Ipixuna do Pará, no nordeste paraense. A filha da vítima, uma mulher de 42 anos, foi presa em flagrante sob a acusação de praticar maus-tratos que culminaram no óbito do pai, de idade avançada. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Judiciária da cidade após alerta de profissionais de saúde.

Segundo o procedimento padrão da corporação, a investigação teve origem a partir de uma notificação de violência doméstica contra pessoa vulnerável feita pela equipe médica do Hospital Municipal Santa Clara. O idoso deu entrada na unidade de saúde apresentando quadro clínico alarmante: desnutrição severa, desidratação avançada e múltiplos hematomas em diferentes estágios de cicatrização pelo corpo. Os médicos perceberam que as lesões não eram compatíveis com quedas acidentais ou enfermidades naturais, ativando o protocolo de denúncia.

Equipes da Polícia Civil se deslocaram imediatamente até o hospital para acompanhar a evolução do paciente e colher as primeiras informações. A vítima, cuja identidade foi preservada, encontrava-se em estado de saúde crítico e não resistiu aos procedimentos de reanimação, vindo a falecer poucas horas após a admissão. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de região, e o laudo cadavérico deverá confirmar a causa mortis e a extensão das agressões físicas.

Em sede policial, a filha da vítima, identificada pelas iniciais A.S.S., foi ouvida e autuada em flagrante. Ela assumiu a condição de cuidadora principal do pai, informando que o homem residia com ela há cerca de três meses, após mudança de outra cidade. Em seu depoimento preliminar, A.S.S. negou a prática de agressões e afirmou que o pai recebia alimentação e medicamentos de forma regular. Ela alegou que as marcas no corpo seriam decorrentes da baixa imunidade e facilidade de sofrer quedas, característica da idade avançada.

A autoridade policial responsável pelo caso classificou a conduta como maus-tratos qualificado, tipificado no Artigo 136, parágrafo 3º, inciso III, do Código Penal. O dispositivo penal é utilizado quando a violência ou omissão resulta em morte da vítima, prevendo penas de reclusão de quatro a doze anos. O inquérito policial, instaurado sob o número de registro local, tramita em sigilo para preservar as provas testemunhais e periciais.

O delegado titular ressaltou que o laudo de constatação de lesões corporais, realizado ainda na unidade hospitalar por peritos do IML, será peça fundamental para a acusação. O documento atestou a existência de ferimentos contusivos e o estado de abandono nutricional, elementos que contrariam a versão de cuidados adequados apresentada pela suspeita. Testemunhas da comunidade e do círculo familiar também serão ouvidas nos próximos dias para reconstruir a rotina do domicílio.

A prisão em flagrante de A.S.S. foi realizada no final da tarde de quarta-feira. Na audiência de custódia, realizada por videoconferência com a Vara Criminal da comarca, o Ministério Público manifestou-se pela manutenção da custódia preventiva. O argumento baseia-se na gravidade concreta do delito, que chocou a comunidade local, e no risco de que a investigada possa interferir na produção de prova, dada a provável existência de outras testemunhas no ambiente doméstico.

Procurada pela reportagem, a defesa de A.S.S., representada pela Defensoria Pública, informou que aguardará o acesso integral aos autos do inquérito para formular a estratégia de defesa. Os advogados deverão questionar a autoria e o nexo de causalidade entre os cuidados prestados e o estado de saúde do idoso, destacando a possibilidade de doenças preexistentes.

Este caso insere-se em um cenário preocupante de violência contra a pessoa idosa no interior do estado. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) apontam um aumento nas notificações de maus-tratos familiares nos últimos anos, impulsionado pela criação de canais de denúncia anônima e pela capacitação de profissionais de saúde. O crime, muitas vezes cometido dentro de casa, possui baixa taxa de notificação policial, o que torna a ação do Hospital Municipal Santa Clara determinante para a elucidação do fato.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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