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Dia dos Namorados deve aquecer comércio de Manaus, mas ticket médio fica em R$ 250

Pesquisa do IFPEAM aponta que 96% dos consumidores pretendem comprar presentes, mas maioria deve gastar até R$ 250 para proteger o orçamento familiar.

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Renato Lobo
Amazonas · AM
03 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 566 palavras
Cliente observa vitrine de loja de roupas em shopping center em Manaus.
Pesquisa do IFPEAM aponta que 96% dos consumidores pretendem comprar presentes, mas maioria deve gas · Foto: Redação Nortícia

Para a economia de Manaus, o Índice de Intenção de Consumo para o Dia dos Namorados de 2026 é um sinal verde, mas com luz amarela no painel de controle. O levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas (IFPEAM), realizado entre 9 e 10 de abril, aponta que 96% dos manauaras pretendem adquirir presentes — um número robusto que coloca a capital acima da média nacional para datas gêmeas, como o Dia das Mães no Sudeste, onde a intenção costuma oscilar entre 88% e 92%.

No entanto, a prudência é a tônica do consumidor do Norte neste ano de 2026. O dado crucial traduz a cautela: 78% dos entrevistados planejam gastar até R$ 250. Deste grupo, a faixa de R$ 81 a R$ 150 é a modal, seguida de perto pelo intervalo de R$ 151 a R$ 250. O teto baixo indica que, apesar da vontade de celebrar, a recuperação da renda real ainda não é consistente o suficiente para liberar gastos maiores ou inflar o ticket médio.

Se olharmos para a distribuição geográfica da pesquisa — que ouviu 1.323 pessoas nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro-Sul —, o padrão se repete. O manauara está trocando volume por valor. Roupas e calçados lideram a preferência com 55% das citações. É uma escolha racional: beneficiados pelo Polo Industrial de Manaus (PIM), esses produtos possuem uma carga tributária menor no preço final em comparação a outras regiões do país, oferecendo melhor custo-benefício para o presenteador consciente.

A pesquisa detalha a disposição de gasto: 52% afirmaram que manterão o valor gasto em 2025, enquanto 22% pretendem investir mais. Já 17% disseram que reduzirão as despesas. Aqui reside o desafio de interpretação estatística. Com a inflação acumulada no Amazonas pressionando serviços e alimentação, um aumento nominal de 10% no gasto com presentes pode significar, na prática, a compra de menos itens ou produtos de qualidade inferior. O consumidor pode estar gastando mais reais para levar a mesma alegria de casa.

"O cenário é positivo para o faturamento do comércio varejista, especialmente para o setor de vestuário e perfumaria, que deve absorver a maior fatia da demanda", informou a Fecomércio em nota. A entidade destaca ainda que o setor de serviços — restaurantes e casas de espetáculo — deve ser beneficiado pela "migração" de parte do orçamento de presentes para experiências, um comportamento que se consolidou no pós-pandemia, mas que enfrenta a concorrência direta da inflação de serviços em Manaus.

O receio do endividamento é o freio natural. Ao contrário dos "anos de ouro" do pré-2015, quando o crédito rotativo fácil financiava compras acima da capacidade, o manauara de 2026 prefere o pagamento à vista ou o parcelamento sem juros no cartão, evitando o rotativo do cheque especial. Essa sanidade financeira é boa para a economia doméstica, mas freia um crescimento mais agressivo do faturamento bruto das lojas.

Resta ao comércio local trabalhar a inteligência de estoque. Com a preferência massiva por vestuário, lojas que apostaram em eletroeletrônicos ou artigos de importação podem sentir o frio nas prateleiras. A expectativa é que o aquecimento desta semana de junho ajude a compor o saldo do semestre, que historicamente sofre com a baixa demanda nos meses de inverno na região. O próximo termômetro será o das Festas Julinas, onde a expectativa é que o poder de compra sofra nova pressão diante dos aumentos de energia elétrica típicos da época.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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