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DNIT interdita ponte do Rio Caeté na BR-364 após movimento de solo

Tráfego será desviado para ponte metálica emergencial; não há previsão de reabertura da estrutura principal em Sena Madureira.

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Ananda Rocha
Acre · AM
03 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 587 palavras
Ponte de concreto sobre o Rio Caeté na BR-364, com placa de sinalização de trânsito ao lado.
Tráfego será desviado para ponte metálica emergencial; não há previsão de reabertura da estrutura pr · Foto: Redação Nortícia

Seu Raimundo Nonato, 45 anos, motorista de carreta, reduz a marcha no quilômetro 282 da BR-364. Ele para o veículo pesado à margem da estrada e olha para a estrutura de concreto que atravessa o Rio Caeté. A fita zebrada de sinalização já está sendo esticada pelos agentes. A partir desta sexta-feira (5), a travessia principal que liga Sena Madureira ao Vale do Juruá fecha de novo.

O motivo é o mesmo de 2025: o chão ao redor dos pilares não para de se mover. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) confirmou a interdição total da ponte após uma vistoria técnica identificar nova movimentação do solo nas margens do rio. A medida é preventiva, mas interrompe o fluxo direto pela estrutura principal.

No lugar da ponte antiga, o tráfego vai desviar para o velho conhecido dos viajantes da região: o pontilhão metálico instalado ao lado da estrutura principal. Essa passagem estreita foi usada no ano passado, durante a última crise da ponte, e agora volta a ser a única rota para carros, ônibus e caminhões que seguem para Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima.

"A gente já sabe o caminho, mas o desgaste é maior. O pontilhão é apertado, então a gente vai ter que revezar a passagem. Isso vai atrasar a viagem em pelo menos duas horas", conta o motorista de ônibus intermunicipal, Carlos Mendes, 52 anos, que faz a linha Sena Madureira a Cruzeiro do Sul todos os dias. Ele diz que a notícia correu rápido na cidade e preocupou quem depende do transporte regular. "Quem tem consulta médica em Cruzeiro do Sul ou precisa pegar um voo vai ter que sair com muito mais antecedência".

Na parada obrigatória no posto de combustível na entrada de Sena Madureira, o comerciante João Pedro da Silva, 38 anos, revisa o estoque de mercadorias que vem de Rio Branco. Ele tem um pequeno mercado no centro da cidade. "Se a carreta atrasa, eu vendo menos. O pontilhão aguenta o peso, mas o rendimento cai pela metade. É um funil. Vamos ter que repor o estoque com menos frequência para evitar ficar na mão", explica ele, enquanto abastece o caminhão baú.

A assessoria do DNIT informou que não há data prevista para a reabertura da ponte principal. O plano de engenharia agora é instalar um pilar provisório estaiado para reforçar a sustentação da estrutura e garantir que ela não sofra uma falha maior enquanto o solo se estabiliza. A área vai ser monitorada constantemente pelas equipes técnicas do órgão.

A BR-364 é a artéria de vida do interior do Acre. É por ela que passa a produção agrícola, os remédios para os municípios do Juruá e os passageiros que conectam a capital ao extremo oeste do estado. O trecho no km 282,65 já tem histórico de problemas geotécnicos, e o uso alternativo da ponte metálica se tornou uma solução recorrente para não isolar a região.

O DNIT promete sinalizar o acesso ao pontilhão com placas e barreiras para orientar os motoristas sobre o novo desvio. A recomendação é para reduzir a velocidade e respeitar a sinalização no local, já que a largura da ponte metálica exige atenção redobrada, especialmente no cruzamento de veículos grandes.

Motoristas que precisam passar por Sena Madureira e seguem viagem para o Juruá devem ficar atentos aos painéis de mensagem eletrônica ao longo da rodovia. Informações atualizadas sobre o tráfego nas rodovias federais do Acre podem ser obtidas pelo telefone 0800 971 2222 ou pelos canais oficiais do DNIT Acre nas redes sociais.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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