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Enchente em Normandia deixa 100 galinhas ilhadas em telhado de galinheiro

Água do igarapé Namará ultrapassou 1,80 metro e atingiu estrutura suspensa em sítio de Normandia; aves foram resgatadas com barcos.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
29 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 502 palavras
Galinhas descansam sobre o telhado de galinheiro inundado em sítio em Normandia (RR).
Água do igarapé Namará ultrapassou 1,80 metro e atingiu estrutura suspensa em sítio de Normandia; av · Foto: Redação Nortícia

O professor Marcos de Sales, 57 anos, subiu num bote pequeno na manhã desta quinta-feira (29) para fazer um serviço que não estava no planejamento da semana: resgatar o galinheiro. No sítio da família, às margens do igarapé Namará, em Normandia, no extremo Norte de Roraima, a água invadiu a área de criação e deixou cerca de 100 galinhas e picotes refugiados no telhado da estrutura.

As aves passaram a noite inteira ilhadas em cima do telhado. Abaixo delas, o igarapé tinha transbordado e cobria mais de um metro de altura do galinheiro. Marcos acompanhou a água subir desde a quarta-feira. Ele sabe a geografia de Fundo: é área que alaga. Mas desta vez, o volume excedeu a matemática da construção.

“A água subiu e chegou, acredito, a cerca de 1,80 metro. Ou seja, aproximadamente 70 centímetros acima do piso do galinheiro e do espaço onde ficam os carneiros”, contou Marcos, enquanto verificava o estado dos animais no resgate. “Tudo lá foi construído nessa faixa de altura, de 1,10 metro: a casa, o barracão, o galinheiro e o chiqueiro. Essa era a média da maior enchente que já tinha acontecido no local, então fizemos as estruturas pensando nisso.”

O projeto de adaptação, que serviu por anos, mostrou um limite na cheia desta semana. A água subiu 70 centímetros acima da “linha de segurança” de 1,10 metro. Com isso, o piso interno foi alagado e as aves subiram. Se não fosse o teto, o prejuízo seria total. No silêncio da manhã, o cacarejo das aves no alto do telhado era o único som que se ouvia acima da água parada.

No local, Marcos cria cerca de 120 aves. Com a subida rápida do nível do igarapé, 20 animais morreram. Os outros 100 sobreviveram por um detalhe de arquitetura rural: o telhado de duas águas. Ficaram lá aguardando o retorno do dono. O resgate, feito com o apoio de barcos da região e a ajuda de vizinhos que também passaram para ver a extensão da cheia, conseguiu trazer todos de volta ao solo seco ao longo da manhã.

Em Normandia, o convívio com o igarapé faz parte do cotidiano da zona rural. As casas e as instalações de criação são, em sua maioria, palafitas ou suspensas. É uma solução prática para um problema recorrente das chuvas fortes na região. O que mudou desta vez foi a intensidade. O igarapé Namará é um dos principais cursos d'água daquela parte de Roraima e serve como referência para quem planta e cria perto de suas margens.

O professor Marcos de Sales, que dá aula na cidade e cria animais no sítio, diz que agora o cálculo muda. Se a média histórica foi quebrada, a próxima reforma vai precisar elevar os pilares. O galinheiro precisará ganhar mais meio metro, no mínimo, para que a próxima cheia de 1,80 metro não deixe as galinhas novamente no telhado. A água do Namará já começou a baixar na quinta-feira, deixando rastros de lama e vegetação nas paredes de madeira das construções.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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