Enxame de abelhas deixa moradores em alerta na Passagem São Jorge, em Belém
Moradores há seis meses convivem com insetos em telhado próximo a escola; prejuízos ao cotidiano e relatos de ataques.
Dona Laura Barbosa, 66 anos, pensa duas vezes antes de abrir a janela da cozinha da casa dela na Passagem São Jorge, Bairro da Condor, em Belém. O cheiro do almoço ou qualquer perfume pode ser um convite perigoso para a vizinhança do telhado ao lado.
Há seis meses, um enxame com centenas de abelhas africanizadas ocupa a cobertura de uma residência na via. O que era curiosidade virou medo constante. A passagem São Jorge é uma via de grande circulação de pedestres e, mais preocupante, fica logo ao lado de uma escola de educação infantil.
A situação complica a partir das 11h da manhã. Com o sol forte, a laje de concreto esquenta e os insetos ficam agitados, voando baixo. "Elas invadem a casa e ficam muito nervosas", conta Laura, aposentada que já tentou conversar com a proprietária do imóvel onde o ninho está fixado, mas não obteve sucesso. A resposta foi silêncio, e a colônia continua lá, aparentemente crescendo.
O mecânico Joaci Goulart, que trabalha na região, é um dos que já sentiram na pele a irritação dos animais. Ele foi ferroado e conta que o comportamento das abelhas mudou nos últimos meses, tornando-se mais agressivo. "A gente tem que correr para entrar em casa, não dá para parar na calçada", relata. O fluxo natural de pessoas na rua diminuiu, e quem passa acelera o passo, evitando conversar na porta.
A responsabilidade pela remoção virou um impasse burocrático e vizinho. Como a colmeia está dentro de um terreno privado, a Prefeitura de Belém não entra sem ordem judicial ou risco iminente comprovado em área pública. A Sesma (Secretaria Municipal de Saúde) orienta que o proprietário contrate uma empresa especializada em controle de pragas. O problema é que a dona da casa invade se recusa a pagar, e os vizinhos não podem invadir a propriedade para fazer o serviço.
Para sair do beco sem saída, o caminho oficial é o 156. Os moradores precisam abrir uma solicitação na Ouvidoria Municipal solicitando uma vistoria da Vigilância Sanitária ou do Centro de Controle de Zoonoses. Se constatado o risco à saúde pública — o que é óbvio pela proximidade da escola —, o órgão pode multar o proprietário e executar a remoção, cobrando as custas depois.
Enquanto a fiscalização não chega, o cotidiano na Passagem São Jorge é de alerta vermelho. Crianças voltando da escola, moradores que precisam cozinhar e donas de casa que fazem o mercado mantêm as portas fechadas, torcendo para que o calor de Belém não piore o humor das abelhas hoje.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



