Especialistas debatem desinformação e democracia em painel no Ifac
Evento em Rio Branco reúne estudantes e especialistas para discutir o combate às fake news e o papel da fiscalização no ambiente digital.
Lucas Silva, 19 anos, chega ao auditório do Instituto Federal do Acre (Ifac) uma hora antes da porta abrir. Ele estuda Sistemas de Informação e quer garantir um lugar na primeira fila. O assunto que vai rolar naquela mesa, democracia digital, é a coisa que mais tira o sono dele e dos amigos na hora de apertar o "compartilhar" no WhatsApp da família.
O evento "Amazônia Que Eu Quero" traz até o Campus Rio Branco, nesta quinta-feira (18), uma discussão que saiu das salas de aula para as ruas. O tema central é o combate à desinformação e o papel dos órgãos de fiscalização na era digital. Começa às 14h30, mas a fila de cadeiras começa a se formar bem antes, misturando alunos de Informática com os de Jornalismo.
A programação conta com Pablo Mendes, especialista em Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Ufac), e a mediação de Murilo Lima, apresentador da Rede Amazônica. A Fundação Rede Amazônia promete colocar em pauta não só a teoria, mas a prática do fake news no contexto amazônico. A transmissão é ao vivo pelo portal g1, tentando alcançar quem não consegue pegar o ônibus até o Ifac.
"Minha mãe chega com áudio no zap dizendo que o governo vai cortar o bolsa-família se não votar em tal cara. É difícil explicar", conta Lucas, encostado na parede cor de creme do corredor do bloco B. Ele diz que a faculdade ensina a programar, mas raramente ensina a checar a fonte. A busca pela "informação correta", título do painel, é exatamente o que falta na hora do impulso.
Beatriz Costa, 22, estudante do terceiro período de Jornalismo, senta ao lado dele. Ela abre o celular e mostra grupos de Telegram locais onde circula de tudo: boatos sobre saúde pública, denúncias falsas de obras paradas e ameaças às urnas. "Aqui no Acre a informação viaja rápido. Se a gente não tiver antena para identificar o lixo, a democracia desanda", alerta ela, enquanto anota o nome dos palestrantes numa agenda velha.
Ao lado, um grupo de cinco alunos do curso técnico em Edificações comenta o ano eleitoral. O medo não é só de candidato mentindo, mas da máquina de produção de conteúdo ilícito, as milícias digitais que o Ministério Público Federal vem investigando no estado. Eles querem saber até onde vai a liberdade de expressão e onde começa o crime.
A organização do evento, em nota divulgada ontem, enfatiza que o debate não é acadêmico demais para o cidadão comum. O objetivo é "incentivar a reflexão sobre a importância de acessar informações confiáveis e fortalecer as instituições". O auditório do Ifac, que comporta cerca de 200 pessoas, deve lotar com estudantes do ensino médio da rede pública convidados pela secretaria.
Rio Branco vive um momento de expansão digital, com o 5G chegando aos bairros, mas a educação midiática ainda engatinha. O debate tenta conectar essas duas pontas: a infraestrutura que chega e a capacidade crítica que precisa acompanhar.
Quem quiser acompanhar de perto, a entrada é franca e sujeita à lotação. Quem preferir o sofá de casa, basta acessar o canal do WhatsApp do g1 Acre ou o site de notícias. A expectativa é que as perguntas da platéia vão direto para o ponto: como garantir que a verdade chegue ao ribeirinho e ao morador da periferia sem distorção.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


