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Nortícia CidadesProjeto Amazônia Que Eu Quero

Estudantes do Ifac discutem fake news e democracia em oficina no Acre

Alunos participaram do Canvas de Políticas Públicas no Rio Branco para propor soluções contra desinformação na internet.

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Ananda Rocha
Acre · AM
18 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 594 palavras
Estudantes do Instituto Federal do Acre trabalham em grupos sobre papel craft durante oficina de democracia digital.
Alunos participaram do Canvas de Políticas Públicas no Rio Branco para propor soluções contra desinf · Foto: Redação Nortícia

Letícia dos Santos, 17 anos, chega cedo ao Campus Rio Branco do Instituto Federal do Acre (Ifac). Ela não vem só para aula de Português. Na manhã desta quinta-feira (18), a sala de aula virou um laboratório de democracia. Ela senta em roda com outros 29 colegas, espalha folhas de papel craft sobre a mesa e pega a caneta azul. O assunto do dia é fake news, mas a tarefa é propor solução.

A turma participou da dinâmica Canvas de Políticas Públicas, uma etapa do projeto Amazônia Que Eu Quero 2026. A iniciativa é da Fundação Rede Amazônica e chegou ao Acre com um objetivo claro: ouvir quem está começando a votar. O tema deste ano é “Democracia na Era Digital”. Não é palestra. É trabalho de mão na massa.

Sobre o papel craft, os estudantes do ensino médio e técnico desenharam fluxos para combater a desinformação. Eles listaram problemas, como a velocidade de compartilhamento de mentiras no WhatsApp, e sugeriram saídas, como a verificação obrigatória em sites oficiais antes de repostar. As ideias não vão ficar na gaveta. Vão integrar o Caderno de Soluções do projeto, um documento que reúne propostas de toda a Amazônia Legal.

“Em casa é muito difícil. Meu tio manda áudio todo dia sobre política, e a gente não sabe se é verdade. A gente briga, mas ele não acredita”, conta Letícia, que cursa o técnico em Administração. Ela diz que a escola é o lugar certo para aprender a separar o joio do trigo. “Aqui a gente aprende a buscar a fonte. Se a gente não ensina nossos pais, quem vai ensinar?”

A dinâmica Canvas funciona como um jogo de tabuleiro. Os alunos dividem a lousa em blocos: onde estamos, onde queremos chegar e como chegar lá. O mediador, Dênis Carvalho, especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica, circula entre as mesas. Ele empurra a conversa para além do óbvio.

“Não queremos apenas que eles identifiquem a fake news. Queremos que eles entendam o mecanismo de produção dela e o impacto na democracia”, explica Carvalho. Segundo ele, o jovem acreano tem uma visão crítica muito afiada sobre a Amazônia, mas às vezes carece de ferramentas para filtrar o excesso de informação digital. “O Canvas é democrático. A ideia é que o estudante sinta que pode propor política pública, não só receber.”

Em outra mesa, Lucas Pereira, 18 anos, discute com o grupo sobre o papel das plataformas. A proposta do grupo dele envolve punições mais severas para quem dissemina notícias falsas sobre saúde ou eleições. “A gente viu muita coisa na eleição passada que confundiu até gente com faculdade. Imagine quem não tem acesso à informação de qualidade”, argumenta Lucas.

O projeto Amazônia Que Eu Quero percorre os sete estados da região. No Acre, a parceria com o Ifac trouxe o debate para dentro da escola pública federal. Para a coordenação do campus, o tema é transversal. Não fica só na disciplina de Sociologia ou Filosofia. Entra na rotina do aluno conectado.

Ao final da manhã, os post-its ocuparam as paredes da sala. Há propostas sobre mídia-educação desde o ensino fundamental e canais de denúncia ágeis. O próximo passo é a compilação dessas ideias. O Caderno de Soluções deve ser lançado no segundo semestre e entregue a gestores públicos.

Quem quiser acompanhar as propostas dos alunos do Acre ou de outros estados da Amazônia Legal pode acessar o site da Fundação Rede Amazônica. O conteúdo é aberto. A intenção é que a democracia saia da tela do celular e entre na prática de cada bairro de Rio Branco.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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