Estudantes de Santana ficam em 2º lugar em feira nacional e vão ao México
Com projeto de MDF sustentável feito com arumã, alunos de Santana garantem vaga na competição internacional RoboRave, em novembro.
Kamilo Ernesto, de 17 anos, passa as tardes no laboratório de uma escola no centro de Santana, no Amapá, lixando placas feitas de uma planta da floresta. O material não parece muito com a madeira comprada em depósitos de construção, mas ele sustenta o peso de um sucesso internacional.
O estudante é parte de um trio de alunos que conquistou o 2º lugar na categoria Engenharia e Robótica da Expo Ceti 2026. A feira, uma das maiores do país para estudantes, aconteceu entre os dias 1º e 4 de junho em São Lourenço da Mata, na periferia de Recife.
O trabalho que levou o prata para Santana tem um nome técnico: “O potencial do arumã e das resinas biodegradáveis na substituição sustentável do Medium Density Fiberboard (MDF)”. Na prática, é um substituto ecológico para aquele painel de fibra de madeira que reveste móveis e paredes em todo o Brasil.
Kamilo explica que a ideia surgiu da necessidade de aproveitar a biodiversidade local. O arumã é uma palmeira comum no Amapá, usada tradicionalmente no artesanato de cestaria, mas pouco explorada pela engenharia industrial moderna.
“Obter a segunda colocação em uma feira nacional de ciências é um fato significativo para mim como estudante do ensino médio. É uma conquista que mostra o meu esforço e a possibilidade de representar o estado do Amapá”, disse Kamilo ao Nortícia.
A pesquisa propõe usar a fibra do arumã misturada a resinas que se decompõem na natureza. Isso resolve dois problemas: reduz o corte de árvores para madeira processada e diminui o lixo plástico gerado pelas resinas sintéticas do MDF convencional.
Com a medalha no pescoço e o certificado na mão, o próximo desafio da turma é mais caro. A classificação na Expo Ceti garantiu credencial para representar o Brasil na RoboRave, uma competição internacional de robótica e inovação que acontece em novembro, no México.
A escola, localizada na zona urbana de Santana, agora organiza uma agenda de arrecadação para custear as passagens e a logística dos protótipos. O objetivo é levar as placas de arumã para mostrar que a ciência feita no Norte tem lugar no mundo.
A comunidade escolar celebra o feito como um divisor de águas. Trata-se de um projeto de jovens que olharam para a floresta ao redor e encontraram uma solução tecnológica com cheiro de mato.
Para quem quiser acompanhar a preparação ou apoiar a delegação de Santana para o México, a direção escolar informa que a secretaria permanece aberta para contato de segunda a sexta, na Avenida Santana, bairro Centro.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



