Neblina interrompe voos no Aeroporto Eduardo Gomes e desvia 10 aeronaves
Baixa visibilidade forçou desvios para outros estados e paralisação de decolagens na manhã desta quarta-feira (10).
Roberto Lima, 42 anos, engenheiro agrônomo, estava com a mala pronta no Portão 3 do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes às 6h30 desta quarta-feira (10). Ele tomava um café expresso, pronto para embarcar rumo a Belém, mas a tela de painel mudou de “Embarque” para “Aguardando”. Lá fora, a pista sumia. Uma neblina densa, típica da virada do “verão” para o inverno amazônico, engoliu a zona norte de Manaus.
Foram duas horas de incerteza. A administração do aeroporto confirmou que 10 voos de chegada foram desviados para pistas alternativas em Parauapebas (PA), Porto Velho (RO) e outras bases da região. A operação de decolagem ficou paralisada até que a visibilidade horizontal permitisse a navegação segura. Não foi excesso de zelo: é protocolo.
“A gente olha pela janela e só parece cinza. O piloto avisou que íamos circular, mas não deu, a gente teve que pousar longe”, conta Mariana Souza, 28 anos, moradora do Alvorada. Ela vinha de um congresso em Brasília. Em vez de dormir em casa, acabou desembarcando em Carajás. “Fui para o Pará sem querer. Agora estou esperando um voo de conexão para voltar para a minha própria cidade”, relata, enquanto carregava uma mala pesada e uma sacola de sacolinhas no saguão.
No chão do terminal, o movimento era de quem está em limbo. Passageiros com conexões para o interior do Amazonas – rotas cruciais como Tabatinga, Tefé e Coari – corriam dos balcões da Latam e Azul para tentar remarcar os voos regionais. O medo era perder a única ida e volta do dia. A fila do 156 – o serviço de atendimento ao cidadão da prefeitura – não funciona no terminal, mas o atendimento das companhias esticou-se até a entrada principal.
A concessionária do aeroporto emitiu nota orientando passageiros a acompanhar os canais oficiais. A meteorologia para os próximos dias indica instabilidade. Segundo especialistas ouvidos pela Rede Amazônica, a umidade alta associada à temperatura pode gerar novos episódios de neblina de radiação. O fenômeno acontece quando o solo esfria rapidamente à noite e o ar acima permanece quente, prendendo a umidade perto do chão.
Para quem mora na capital, o cenário é familiar, mas sempre gera transtorno. O Aeroporto Eduardo Gomes, localizado na zona urbana, é sensível a essas mudanças climáticas que afetam principalmente as operações da madrugada e começo da manhã. O cronograma de voo costuma se normalizar a partir das 9h ou 10h, quando o sol dissipa o banco de nuvens.
O recomendado agora é checagem prévia. Passageiros com voos previstos para as primeiras horas da quinta-feira (11) devem entrar em contato com as companhias aéreas antes de sair de casa. As informações podem ser atualizadas nos aplicativos Latam Pass e Azul, ou pelo site da Vinci, a concessionária responsável pela gestão do terminal. Reclamações sobre o atendimento nas empresas podem ser registradas na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



