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Evento conecta 200 empreendedores à economia criativa no Amapá em final de semana

Feira em Macapá reúne gastronomia, tecnologia e cultura como alternativa de renda; organizadores focam em profissionalizar o setor.

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Renato Lobo
Amapá · AM
09 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 521 palavras
Stands de empreendedores locais durante feira de economia criativa em Macapá.
Feira em Macapá reúne gastronomia, tecnologia e cultura como alternativa de renda; organizadores foc · Foto: Redação Nortícia

A terceira edição da Expo Favela Innovation Amapá, que ocorre neste fim de semana na unidade do Sebrae em Macapá, projeta a conexão de 200 empreendedores com investidores e o mercado formal — um volume que evidencia o crescimento da economia criativa como vetor de inclusão produtiva no estado, setor que emprega mais que a indústria tradicional em várias capitais brasileiras.

Para colocar em escala: enquanto o polo industrial de Manaus (PIM) foca em bens de consumo duráveis, o Amapá não possui um parque industrial de grande magnitude. Nesse cenário, eventos que profissionalizam a cadeia de serviços, gastronomia e cultura atuam como âncoras de desenvolvimento local. A feira é organizada pela Central Única das Favelas (Cufa-AP) e pela Favela Holding, com o objetivo de tirar do informalismo negócios que muitas vezes operam apenas no fluxo de caixa diário, sem registro.

O evento abrange setores como gastronomia, moda, beleza, tecnologia e artes visuais. Do ponto de vista macroeconômico, a diversificação é essencial. A dependência do setor público ou de commodities é uma vulnerabilidade clássica da economia norte; a economia criativa, por sua vez, agrega valor com baixo custo de capital fixo, focando em mão de obra intelectual e artesanal. Segundo dados recentes do Sebrae, o setor criativo representa cerca de 2,6% do PIB nacional, com potencial de crescimento maior em regiões periféricas onde a informalidade é alta.

A programação não é restrita a estandes de venda. A estrutura inclui debates sobre inovação e tecnologia, um componente fundamental para escalabilidade. Não basta produzir; é necessário usar ferramentas digitais de gestão e marketing para atingir um público que ultrapassa as fronteiras do bairro. "O objetivo é conectar empreendedores, investidores, artistas e lideranças comunitárias em atividades que envolvem economia criativa, tecnologia e geração de renda", informaram as organizações em nota.

A agenda cultural também segue a lógica econômica da patrimonialização. A abertura contará com show de Manoel Cordeiro e participações de Patrícia Bastos e Silmara Lobato. O lançamento do livro "Memórias de Velhas", de Francisco Borges, que aborda o marabaixo na Amazônia amapaense, exemplifica a transformação de bem cultural em produto comercializável. O marabaixo, patrimônio cultural imaterial, gera renda não apenas para os músicos, mas para toda a cadeia de vestuário e alimentação em torno das festividades.

O desafio agora é a perenidade. Feiras impulsionam o faturamento no curto prazo — o chamado "efeito vitrine" —, mas o impacto real depende da capacitação contínua desses empreendedores em gestão financeira e acesso a crédito. Diferente da indústria de transformação, que responde a grandes ciclos de investimento, o comércio de bens culturais e de proximidade reage rapidamente a estímulos de renda local. Se esses 200 empreendedores conseguirem formalizar suas atividades, o efeito tributário e a elevação da renda média das comunidades onde atuam tendem a se refletir no comércio local de Macapá nos próximos trimestres.

A expectativa dos organizadores é que o evento sirva de termômetro para o potencial de inovação nas periferias, apostando que a próxima "start-up" de sucesso do Amapá pode nascer justamente fora do centro empresarial tradicional. A economia criativa não resolve déficits estruturais de infraestrutura logística, mas oferece resiliência à base produtiva estadual.

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◆ Repórter · Nortícia Economia

Renato Lobo

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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