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Governo do Amapá decreta emergência em saúde por aumento de casos de gripe

Estado vive surto de síndromes respiratórias; decreto intensifica vacinação e busca ativa em Macapá e Santana.

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Ananda Rocha
Amapá · AM
04 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 648 palavras
Fila de pacientes espera atendimento em posto de saúde de Macapá durante surto de gripe.
Estado vive surto de síndromes respiratórias; decreto intensifica vacinação e busca ativa em Macapá · Foto: Redação Nortícia

Dona Maria de Lurdes da Costa, 72 anos, chegou à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Laguinho, em Macapá, às 5h30 desta quinta-feira. Ela não tinha marcação. Apenas uma tosse seca que não passava e o medo de ficar sozinha em casa com a falta de ar que começou a apertar o peito na noite anterior. "A fila já era grande. Tem muita gente com o mesmo problema, tosse, febre", conta Maria, sentada no banco da calçada, máscara cirúrgica descartável no rosto. "Aqui a gente espera. Não tem outro jeito."

A cena se repete em diversos pontos da capital e em Santana. É o retrato do surto de síndromes gripais e de síndromes respiratórias agudas graves (SRAG) que levou o Governo do Amapá a decretar, na tarde desta quarta-feira (3), situação de emergência em saúde pública em todo o estado. O decreto assinado pelo governador Clécio Luís libera medidas extraordinárias, como a intensificação da vacinação e a busca ativa de casos pela Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS/AP).

"Nós estamos vivendo um surto que acontece nos nossos municípios, sobretudo aqui na região metropolitana de Macapá e Santana", afirmou o governador em vídeo nas redes sociais. A decisão não é burocrática: tem impacto direto na fila das UBSs e na ocupação dos leitos hospitalares.

Edson da Silva, comerciante de 45 anos que vive no bairro do Santa Rita, em Santana, sentiu essa pressão na terça-feira. Foi ao Pronto-Socorro da cidade com febre alta e dores no corpo. "Cheguei às 8h, só fui atendido às 14h. O médico disse que era quadro viral, receitou hidratação e repouso. Disse que a rede está no limite", relata Edson.

Para tentar aliviar essa pressão sobre os serviços de urgência e emergência, a principal ação do decreto é a busca ativa. Agentes comunitários de saúde e vigilância vão às ruas para identificar pessoas com sintomas nos bairros com maior incidência, evitando que a procura espontânea e tardia colapse os postos de saúde.

O Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado na mesma quarta-feira, já sinalizava o alerta vermelho para o Amapá. O estado está entre as unidades da federação com maior tendência de crescimento de casos de SRAG nos últimos seis semanas. O vírus Influenza A (H3N2) e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) são os principais vilões desta temporada, afetando principalmente idosos e crianças.

"A vacinação é a barreira que a gente tem agora", reforça a nota técnica divulgada pela SVS. Segundo o decreto, as secretarias municipais de saúde devem organizar postos extras e estender o horário de funcionamento. A Secretaria de Saúde do Estado (Sesa/AP) informou que o estoque de antivirais está garantido para tratamento de casos graves, mas o foco é prevenir a complicação.

Dona Maria de Lurdes espera terminar a consulta para voltar para casa. Ela tomou a vacina da gripe em maio, mas sabe que a proteção não é total contra todas as cepas. "Tomou sim, no posto da Zerão. Mas a gripe pegou mesmo assim", diz. Médicos explicam que a vacina reduz o risco de complicações e hospitalização, mesmo que não impeça a infecção, por isso a urgência em completar as campanhas de imunização, especialmente entre grupos de risco.

O que o morador precisa fazer? Se tiver sintomas como febre, tosse, dor de garganta ou falta de ar, não deve ir trabalhar ou ir à escola. O primeiro passo é procurar a UBS mais cedo possível, usar máscara e manter o distanciamento na sala de espera.

Em Macapá, a Prefeitura informou que a UBS Central, na Avenida Mendonça Furtado, funcionará em plantão extra este fim de semana para casos leves. O número do Disque-Saúde (199) e o aplicativo 'SUS Amapá' estão disponíveis para orientar onde buscar atendimento sem precisar se expor em filhas excessivas. A vigilância também pede que populações ribeirinhas e quilombolas, muitas vezes afastadas dos centros urbanos, fiquem atentas às visitas dos agentes de saúde para a "busca ativa".

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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