Graesp desativa laboratório de cocaína e prende grupo em fazenda no Marajó
Ação policial resultou em prisão de quatro suspeitos e incineração de 48 tambores de insumos químicos em local de difícil acesso.
O Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) cumpriu na manhã desta quinta-feira (4) uma operação de inteligência em uma fazenda de difícil localização na zona rural de Soure, no arquipélago do Marajó. A ação resultou na prisão em flagrante de quatro homens e na desarticulação de um laboratório de refino de cocaína, que as investigações apontam como uma base estratégica para o tráfico internacional de entorpecentes.
De acordo com o comando da corporação, a escolha da propriedade rural não foi aleatória. A localização, distante dos principais centros urbanos e de acesso precário, exigiu o emprego de aeronaves e táticas de abordagem especializado da tropa. Ao chegar ao local, a equipe policial, apoiada por um cão farejador, localizou a estrutura clandestina. Foram encontrados 48 tambores contendo precursores químicos e diversos insumos utilizados nas etapas de processamento da droga. Devido ao alto risco dos materiais e à impossibilidade logística de remoção imediata pela via fluvial ou terrestre em segurança, a perícia determinou a incineração controlada de todo o material no próprio local.
As investigações que culminaram no cumprimento dos mandados desta quinta-feira demonstram a capilaridade do esquema criminoso na região. Os quatro suspeitos detidos atuavam como caseiros na propriedade e, segundo a polícia, eram responsáveis pela vigilância e manutenção logística do laboratório. Esta ação integra um ciclo de repressão iniciado na última terça-feira (28), quando a mesma força-tarefa prendeu outros cinco indivíduos acusados de integrar a organização. Entre o grupo anteriormente detido encontra-se um alvo de nota vermelha da Interpol, o que reforça a tese de que o grupo operava na rota de exportação da droga.
Os quatro homens autuados nesta quinta-feira foram conduzidos à delegacia de Soure para o registro do Auto de Prisão em Flagrante (APF). Eles responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico. A identidade civil dos suspeitos foi preservada nos primeiros comunicados, aguardando o depoimento na presença de um advogado ou da Defensoria Pública. O inquérito policial, apurado pela Delegacia Especializada em Repressão a Entorpecentes (DRE), vai agora cruzar as informações obtidas nas duas operações para mapear a hierarquia da organização e a origem da matéria-prima.
A utilização do Marajó como rota logística para o narcotráfico tem sido objeto de monitoramento constante pelas forças de segurança do Pará, devido à proximidade com fronteiras fluviais e à dificuldade de vigilância em uma área com dimensões continentais. O inquérito tramita em segredo de Justiça e será encaminhado ao Ministério Público do Pará (MPPA) para análise da oferta da denúncia criminal.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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