Homicídios no Tocantins caem mais de 30% em cinco anos
Estado registra a maior queda na morte de jovens do país, aponta levantamento do Ipea e FBSP. Índice baixou de 31,8 para 19,8 por 100 mil habitantes.
O Tocantins apresenta uma mudança drástica e importante no cenário de segurança pública. Segundo o recém-lançado Atlas da Violência 2026, o estado registrou uma queda acentuada no número de homicídios nos últimos anos. A redução chega a 34,4% quando comparado ao quinquênio anterior. É um dado que chama atenção num cenário onde a violência urbana ainda é uma das principais pautas de reivindicação da sociedade em todo o Brasil.
Os números não mentem e apontam para uma nova realidade. A análise detalhada do período entre 2020 e 2024 mostra um recuo consistente e expressivo. Em 2020, a taxa era alarmante: 31,8 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Quatro anos depois, em 2024, esse índice caiu para 19,8. É uma diminuição significativa que coloca o Tocantins em destaque no levantamento nacional, realizado em parceria entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Queda na morte de jovens
Talvez o dado mais encorajador e humano do estudo seja sobre a juventude tocantinense. O assassinato de jovens no estado teve a maior redução entre todas as unidades da federação. O índice despencou, passando de 55,6 para 29,3 no período analisado. Isso significa que menos vidas estão sendo ceifadas prematuramente, o que impacta diretamente o futuro social e econômico da região. Menos famílias destruídas e mais jovens com potencial para contribuir com o desenvolvimento local.
Proteger os jovens é fundamental para o desenvolvimento sustentável de qualquer estado. Quando a violência atinge essa faixa etária, a sociedade perde potencial de trabalho, estudo e inovação. A reversão desse quadro no Tocantins indica que estratégias focadas podem estar surtindo efeito, ou que a dinâmica criminal local sofreu alterações substanciais. Seja por ação policial mais eficiente ou por mudanças sociais, o resultado é positivo e precisa ser celebrado com cautela.
Metodologia e subnotificação
Esta edição do Atlas marca uma década de existência da ferramenta, um período crucial para entender a evolução da violência no país. O estudo cobre dados de 2014 a 2024, oferecendo uma visão de longo prazo que é essencial para o planejamento estatal. Não basta olhar o ano isolado; é preciso entender a tendência. E a tendência no Tocantins, nos últimos cinco anos, é de queda consistente, o que difere de outras regiões que ainda lutam contra o crescimento da criminalidade.
Além dos números oficiais de polícia, o estudo trabalha com uma estimativa técnica de mortes violentas subnotificadas. Isso envolve cruzar dados das secretarias de saúde com os registros policiais. Essa metodologia ajuda a identificar a "cifra oculta" da violência, garantindo que a análise seja a mais fiel possível à realidade. Em estados do Norte, onde a captação de dados em áreas remotas pode ser desafiadora, esse cruzamento é vital. O trabalho do FBSP e do Ipea corrige essas distorções, dando visibilidade ao que realmente acontece nos municípios tocantinenses.
Números absolutos e desafios
Olhando para os últimos dois anos da pesquisa, a redução também se mantém forte. Em 2024, o estado contabilizou 309 homicídios. Esse número representa uma diminuição de 26,3% em comparação a 2023. É uma queda bruta de um ano para o outro, reforçando a tendência de melhoria observada na taxa por 100 mil habitantes. O Brasil, como um todo, registrou o menor número de homicídios da série histórica, e o Tocantins contribuiu decisivamente para esse cenário nacional menos sombrio.
Embora os dados sejam motivo de alívio e comemoração, a prudência é necessária na leitura. A segurança pública é dinâmica e exige monitoramento constante e investimento contínuo. Os dados do Atlas servem como um raio-X do passado e do presente, mas não garantem o futuro. A manutenção desses índices baixos depende de esforço contínuo, inteligência policial, integração entre órgãos e, principalmente, políticas sociais que atacam as raízes da violência, como a pobreza e o desemprego.
O Norte do Brasil enfrenta desafios gigantes de logística, fronteiras internacionais e vastas áreas de monitoramento, o que historicamente impacta a segurança. Ver o Tocantins conseguir reverter esses índices e liderar quedas em categorias específicas é um sinal importante. É prova de que, com gestão baseada em dados sólidos, é possível traçar caminhos mais eficientes para proteger a vida dos cidadãos.
Com base em g1-to.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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