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Nortícia CidadesIncêndio no Velha Marabá

Incêndio destrói trailer de comidas típicas em Marabá e deixa prejuízo de R$ 50 mil

Fogo destruiu equipamento na Praça Duque de Caxias neste domingo; proprietário calcula prejuízo, mas promete retomar atividades com carrinho antigo.

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Ananda Rocha
Pará · AM
08 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 767 palavras
Trailer destruído pelo fogo ainda emite fumaça em frente à Praça Duque de Caxias, em Marabá.
Fogo destruiu equipamento na Praça Duque de Caxias neste domingo; proprietário calcula prejuízo, mas · Foto: Redação Nortícia

Seu Francisco das Chagas, 45 anos, para de ciscar o chão de terra batida e suspira. Na sua frente, onde até domingo à tarde estacionava o seu trailer de comidas típicas, sobra apenas ferro retorcido e um cheiro forte de fumaça. O local é o canteiro central da Praça Duque de Caxias, no coração do Núcleo Velha Marabá, em Marabá. Ainda quente, a estrutura preta conta a história de um prejuízo de R$ 50 mil e da luta de um homem que se recusa a parar.

Tudo aconteceu rápido, por volta das 13h. Chagas e dois ajudantes preparavam o tempero do caldo de pirarucu para o almoço de domingo. O trailer ainda estava fechado para o público, mas os fogões acesos e o estoque de insumos já estavam postos. "Ouvi um chiado e quando fui ver, a cortina do lado do tanque já estava em chamas. O vento ajudou, e o gás fez o resto", relembra o comerciante, nascido e criado no município. Em minutos, as chamas dominaram os dez metros quadrados de metal e madeira.

O alvoroço na praça foi imediato. A Velha Marabá é uma região de ruas estreitas e casarios antigos. O risco de o fogo saltar para as lojas e residências da Rua Barão do Rio Branco deixou moradores em pânico. Doça Nazaré Silva, 67 anos, que vende picolé na outra ponta da praça, parou de bater o sino de seu carrinho. "Foi um Deus nos acuda. Todo mundo gritando 'fogo, fogo', e a fumaça subindo e cobrindo a copa das mangueiras. Achei que a padaria ali na esquina ia pegar também", conta.

O Corpo de Bombeiros de Marabá recebeu a ligação por volta das 13h15. Uma viatura do 2º Batalhão subiu a rampa do Velha Marabá com sirenes ligadas. O comando da operação ficou a cargo do sargento Mendes. Segundo o relatório oficial dos militares, o volume de material combustível dentro do trailer — panelas de óleo quente, estoque de farinha, plásticos e três botijões de gás — facilitou a propagação. "A prioridade foi o isolamento da área para garantir que o incêndio não se alastrasse para as edificações vizinhas. Infelizmente, o equipamento foi perda total", informou o sargento.

A ação dos bombeiros durou cerca de quarenta minutos. Eles usaram uma linha de mangueira para combatimento direto e, posteriormente, a água em neblina para o rescaldo, garantindo que brasas não reacendessem com o vento. Não houve registro de feridos, apenas o abalo psicológico dos funcionários que viram o local de trabalho virar cinza.

Enquanto os militares guardavam os equipamentos, a conta dos prejuízos começava a ser feita na cabeça de Chagas. Além da estrutura do trailer, que ele adaptou de um container ferroviário há cinco anos, foram perdidos dois freezers horizontais, o fogão industrial triple-aço e todo o estoque da semana: sessenta quilos de tucupi, trinta de jambu, peixes defumados e utensílios de inox. "Só o tucupi eu tinha comprado de um produtor de São João do Araguaia, uma quantia que não volta fácil. Mas Deus é maior", diz ele, tentando sorrir apesar dos olhos vermelhos.

A notícia correu rápido pelos grupos de WhatsApp do bairro. O trailer, apelidado de "Paraíso do Tacacá", era um ponto de encontro. Flávio Costa, de 32 anos, frequenteador assíduo, ligou para o dono assim que soube. "A gente ia almoçar lá todo domingo. É um baque pra gente, imagina pra ele. O povo do Velha Marabá vai se unir pra ajudar ele a levantar", prometeu Costa.

Mesmo com o terreno arrasado, a determinação de Francisco não diminuiu. Ele diz que o seguro não cobre tudo e que vai precisar tirar um empréstimo no banco do povo ou na cooperativa de crédito local. Enquanto isso, o plano B já está em ação. "Eu tenho um carrinho de mão ali no meu quintal, aquele antigo que eu usava quando comecei. Terça-feira de manhã eu tô aqui. Não vou ter o freezer, não vou ter o conforto, mas vou ter o tacacá quente pra quem passar".

A Prefeitura de Marabá, por meio da Secretaria de Serviços Urbanos (Sesurb), foi acionada para a limpeza dos escombros na calçada, a fim de liberar a passagem de pedestres. A área será interditada até que a avaliação de riscos da concessionária de energia confirme que não há danos à fiação aérea.

Reclamações sobre riscos de incêndio em trailers ou comércios informais podem ser feitas à Guarda Municipal pelo número 156, ou diretamente ao Corpo de Bombeiros pelo 193. Para quem quiser apoiar Seu Francisco, ele garante que estará na terça-feira, com o carrinho antigo, esperando os velhos fregueses na Praça Duque de Caxias.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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