ed. #024
nortıcia
nortícia · cidades · tocantins
Nortícia CidadesBuscas no interior

Pescador desaparece no Rio Lontra após sair de casa com cachorros em Araguaína

Família encontrou pertences e dois cães na margem do rio no Setor JK e acionou o Corpo de Bombeiros; Antônio teve infarto há 15 dias.

a
Ananda Rocha
Tocantins · AM
08 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 663 palavras
Embarcação do Corpo de Bombeiros navega pelo Rio Lontra durante buscas em Araguaína.
Família encontrou pertences e dois cães na margem do rio no Setor JK e acionou o Corpo de Bombeiros; · Foto: Redação Nortícia

Seu Antônio da Silva Morais, 64 anos, conhece as curvas do Rio Lontra como conhece a palma da mão. A pesca não é apenas um lazer para ele; é o ritmo da vida. No fim da tarde deste sábado (6), ele pegou a mochila, ajeitou a rede de dormir nas costas e chamou os três cachorros de companhia para mais uma pescaria no Setor JK, em Araguaína, no norte do Tocantins. A combinação é antiga e costumeira: ele saía, ficava pela margem e voltava no domingo, com o peixe ou com a história do dia. Mas desta vez, o sol se pôs no domingo e a cadeira de Antônio na sala de casa ficou vazia. Na manhã desta segunda-feira (8), o silêncio dentro de casa virou desespero. O filho dele decidiu ir até a margem do rio, no ponto de costume. Foi ali que ele encontrou a mochila jogada na grama, a rede estendida e apenas dois dos três cães esperando. O animal que costumava ficar mais colado no dono também tinha sumido.

A angústia tomou conta da família, especialmente porque a saúde de Seu Antônio não está das melhores. Há cerca de 15 dias, ele sofreu um episódio de infarto. A família informou aos militares do Corpo de Bombeiros que, mesmo com o histórico cardíaco recente e a recomendação médica de evitar esforços, a vontade de estar na beira do rio e a companhia dos animais falaram mais alto. O medo que corrói agora não é apenas o do rio, que tem suas perigosidades, mas o de que um problema de saúde tenha o atingido no meio da mata, longe de qualquer telefone ou socorro rápido. O Rio Lontra, na altura do Setor JK, tem uma vegetação densa nas margens e um fluxo que exige atenção, mesmo para quem é nascido e criado na região.

O Corpo de Bombeiros foi acionado assim que o filho percebeu que a busca pela conta própria não era suficiente. Uma equipe se deslocou até o ponto onde os pertences foram achados, levando uma embarcação para raspar o rio e buscar qualquer sinal visual do homem. A área de busca foca no Setor JK, uma zona que mistura o perímetro urbano com o acesso direto às águas do Lontra. A expectativa da equipe técnica é que o barco consiga visualizar pontos que a pé são difíceis de alcançar por causa da mata ciliar fechada. Os Bombeiros trabalham com a hipótese de que ele possa estar desorientado, ferido ou ter sofrido um mal súbito muito próximo ao local onde deixou a mochila e a rede.

O clima na margem do rio é de tensão. Moradores da região, ao verem o barco dos Bombeiros, pararam as atividades para perguntar. É que a pesca é uma atividade comum naquele trecho, um ponto de encontro para quem vive no Setor JK. Encontrar a rede aberta como se fosse para ser usada, a mochila com os pertences pessoais e os cães rondando sem dono é um sinal que não deixa dúvidas de que algo interrompeu bruscamente a rotina de Antônio. A família segue na beira da estrada, aguardando qualquer notícia, enquanto a equipe do resgate faz o rastramento pela água e pela vegetação, vigilantes a qualquer movimento ou pedaço de roupa na água.

A busca continua no início da tarde. O trabalho é minucioso e lento, exigindo que os bombeiros parem a embarcação a cada intervalo para vencer a vegetação. A prioridade agora é cobrir a extensão do rio onde ele costumava lançar as linhas antes que o escurecer dificulte ainda mais a operação, o que tornaria o resgate ainda mais arriscado para a própria equipe. Quem esteve na região do Rio Lontra neste fim de semana e viu algo diferente, ou quem tenha informações sobre o paradeiro de Antônio da Silva Morais, deve entrar em contato imediatamente com o Corpo de Bombeiros pelo número de emergência 193. Qualquer detalhe, por menor que seja, pode ser a chave para encontrar o pescador.

a
◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Cidades

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em cidades no Norte. Sem agenda, sem partido.