Incêndio atinge vila de casas no bairro Guamá, em Belém
Fogo começou por volta das 8h na Rua Caraparu e se alastrou rapidamente. Fumaça foi vista de outros bairros, mas não há feridos confirmados.
Dona Francisca da Silva, 52 anos, tomava o café na cozinha da casa da Travessa Liberato de Castro quando o céu lá fora escureceu de vez. Não era nuvem de chuva típica de maio em Belém, era fumaça densa e preta. Eram cerca de 8h da manhã desta quinta-feira (28) e o bairro do Guamá, na zona leste da capital, começava a viver o susto de mais um incêndio em área residencial.
O foco principal do fogo foi identificado na Rua Caraparu, esquina exata com a Travessa Liberato de Castro. De acordo com moradores que estavam na rua naquele momento, as chamas começaram pequenas, mas tomaram proporções grandes em minutos. A estrutura da vila, feita majoritariamente de madeira e com telhas de fibra, ajudou o fogo a se espalhar com uma velocidade que assustou quem tentava combater as chamas com baldes de água.
Em pouco tempo, a coluna de fumaça subiu alto e passou a ser vista de outros bairros próximos. O sinal de alerta visual cruzou a cidade, mas quem estava no pé da ravina sentia o cheiro forte de material queimado e o calor nas faces. O movimento na rua virou um corre-corre: uns tiravam móveis, outros tentavam apagar o fogo na cerca, e muitos só corriam para ver se não ia pegar na sua casa também.
Até o momento, o Corpo de Bombeiros não confirmou oficialmente quantas residências foram atingidas ou destruídas. O que se vê no local é um rastro de cinzas e telhas caídas. O alívio coletivo, por enquanto, é que não há registro de feridos. Ninguém foi levado para o hospital em decorrência direta do fogo, o que é considerado um milagre pelos vizinhos, dado à rapidez da propagação.
As causas do incêndio ainda são desconhecidas e vão ser apuradas. No meio da conversa de rua, surgem as especulações de sempre: um fio solto, um botijão com vazamento ou uma brasa mal apagada. Mas a verdade técnica só sairá mesmo no inquérito. O fato é que o Guamá é um bairro de ocupação densa, onde as vilas se encostam umas nas outras, e o acesso para viaturas grandes nem sempre é fácil. As vielas são estreitas e o fluxo de carros atrapalhou, e muito, a chegada das equipes de socorro no início das operações.
Quem perdeu a casa hoje perdeu tudo. Documentos, fotos, roupas e o pouco mobiliário que tinham. A prefeitura informou, através da Defesa Civil, que a equipe está no local fazendo o levantamento de danos e prestando atendimento inicial às famílias desabrigadas. O challenge agora é garantir onde essas pessoas vão dormir今晚 e como vão recomeçar do zero.
Emergências com fogo devem ser acionadas pelo telefone 193. Se você mora em área de vila, a dica básica é manter os acessos livres para que os bombeiros possam entrar. Evite fazer fogueiras ou queimadas de lixo perto de casa, especialmente na época de seca, e verifique sempre a instalação elétrica.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



