Semana S 2026 leva 113 mil atendimentos de saúde e cultura a 10 municípios do Pará
Sesc realizou 247 ações em Belém e interior; evento ofereceu desde mamografias até palestras de inovação para empresários.
Dona Francisca Souza, 59 anos, pegou duas conduções desde o bairro do Jurunas até o Sesc Boulevard em Belém. Ela não foi passear. Foi fazer o exame que tinha adiado por falta de dinheiro: a mamografia. Na fila, conversando com outras mulheres, descobriu que também poderia ter o cabelo cortado de graça e ainda pegar uma vaga para aula de inglês. "Eu vim pelo exame, mas estou levando um monte de coisas pra casa", conta Francisca, segurando o comprovante do atendimento.
Ela é uma das 113.319 pessoas atendidas pelo Sesc durante a Semana S 2026 no Pará. O evento, que se estendeu por 10 municípios entre a capital e o interior, transformou praças e unidades da instituição em postos avançados de cidadania. Não foram apenas 53.138 inscritos buscando diversão; foram moradores atrás de direitos básicos, como saúde, qualificação e cultura.
A Praça Waldemar Henrique, no centro de Belém, foi um dos pontos que virou pólo de convivência. O espaço, geralmente ocupado pelo transeunte apressado, recebeu 19 atrações artísticas e 25 grandes atividades. Ali, o som da banda local misturava com as conversas de quem esperava a vez de subir no palco ou apenas assistir ao show de pé, sem custo algum. O foco foi valorizar o artista da terra, dando visibilidade a quem geralmente fica restrito aos bairros da periferia.
Do lado das carreiras profissionais, o Innovation Day ocupou um dia inteiro com 12 horas de palestras. O público era outro: jovens empreendedores e donos de pequenos negócios de Belém e cidades vizinhas. O objetivo foi desmistificar termos como "transformação digital" e mostrar como aplicar isso na venda de tapioca na feira ou na loja de roupas do centro. "A gente precisa entender que a tecnologia chega no nosso negócio também", explicou um dos participantes durante o intervalo para o café.
Mas a fila mais longa, e talvez a mais silenciosa, foi a da saúde. Foram centenas de mamografias realizadas, exames de PCCU — essenciais para a prevenção do câncer de colo de útero — e avaliações de bioimpedância. Para muita mulher da região metropolitana, o evento foi a porta de entrada para um diagnóstico que o SUS, sobrecarregado, demoraria meses para oferecer. Enquanto esperavam, elas aproveitavam as aulas de ritmos ou a biblioteca circular montada no local.
O Sesc também levou o serviço para dentro do salão. Cabeleireiros voluntários fizeram centenas de cortes, um alívio no orçamento familiar em tempos de inflação alta. Não era apenas estética: era autoestima para quem vai buscar emprego ou precisa se sentir bem para lidar com os problemas do dia a dia. A programação ainda incluiu dança, educação e lazer, integrando uma atuação social que vai muito além do entretenimento.
Segundo o balanço da instituição, a Semana S 2026 consolidou o papel do Sesc como facilitador de acesso. O número de 247 ações diretas mostra que a demanda por serviços públicos de qualidade existe e é urgente. O evento funcionou como uma ponte: ligou o morador de Castanhal, de Marabá ou de Abaetetuba a oportunidades que estavam centralizadas na capital.
Para quem perdeu a data, o Sesc Pará mantém a programação fixa nas unidades. As vagas para cursos e os atendimentos de saúde estão disponíveis durante o ano todo. A recomendação é ficar de olho no site oficial e nos aplicativos da instituição, onde a agenda é atualizada semanalmente. O próximo passo para a população é usar esses espaços também no resto dos 11 meses do ano.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



