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Indígena desaparece após cair de barco no Rio Purus, em Santa Rosa do Purus

Pai de três filhas, Nanes Kaxinawá caiu de embarcação na noite de domingo; Corpo de Bombeiros inicia operação de busca nesta terça.

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Ananda Rocha
Acre · AM
01 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 597 palavras
Margem do Rio Purus cheia na região de Santa Rosa do Purus, no Acre.
Pai de três filhas, Nanes Kaxinawá caiu de embarcação na noite de domingo; Corpo de Bombeiros inicia · Foto: Redação Nortícia

Nanes Batista Domingos Kaxinawá, 32 anos, deixou a bicicleta amarrada no porto da Aldeia Novo Marinho na manhã de domingo. Ele atravessou o Rio Purus numa pequena embarcação de madeira até a casa de um vizinho, na outra margem. O objetivo era rápido: comprar cachaça e voltar para almoçar com as três filhas. O rio, ali na zona rural de Santa Rosa do Purus, no interior do Acre, parecia calmo. Nanes não voltou.

O sumiço aconteceu na noite de domingo (31). A versão que chega até a família é a do amigo que acompanhava Nanes na embarcação. Ambos teriam consumido bebida alcoólica durante a visita. Na volta, a escuridão do interior da floresta e a correnteza do rio atrapalharam a navegação. O amigo relata que tentaram atracar, mas a corrente empurrou o barco de volta para o meio do canal. Foi nessa manobra que Nanes caiu na água.

O companheiro de viagem conseguiu nadar até a margem e salvar-se. Nanes, porém, sumiu na água barrenta do Purus. Não havia colete salva-vidas. Jeneci Francisco Pereira Kaxinawá, sobrinho de Nanes, é quem tenta organizar a busca desde o aldeamento. "Ele foi no vizinho comprar cachaça. Na volta, já à noite, houve o incidente. O amigo disse que eles tentaram chegar ao porto, mas não conseguiram e voltaram para o meio do rio. Foi quando meu tio acabou caindo", conta Jeneci, com o olho pregado na correnteza.

A rotina de Nanes era a da maioria dos homens da aldeia: pesca, roça e o bico na cantina da escola. Ele era funcionário da merenda, uma presença constante para as crianças da comunidade indígena. A ausência dele deixa um buraco na rotina de Novo Marinho. A mãe dele e a esposa, agora, alternam entre o choro e o vigia na beira do rio, esperando que o corpo apareça flutuando ou que um milagre o traga de volta agarrado em algum tronco.

O Corpo de Bombeiros do Acre foi acionado através do 193, mas a logística no interior é lenta. Uma equipe sai de Rio Branco nesta terça-feira (2) com destino a Sena Madureira. De lá, ainda é preciso ir até Santa Rosa do Purus, uma viagem que depende do estado das estradas ou da navegação. O batalhão local de Sena Madureira já se prepara para receber o reforço da capital.

O uso de álcool em embarcações pequenas é uma prática comum e perigosa na região, frequentemente resultando em tragédias que não ganham manchetes estaduais. No caso de Nanes, a embriaguez teria afetado a coordenação da embarcação e a capacidade de reação na água. O Rio Purus, nesta época do ano, tem um volume de água considerável, o que amplia a área de busca e dificulta o trabalho de mergulho dos bombeiros.

Enquanto os bombeiros não chegam, parentes e amigos fazem o que podem. Eles descem o rio em canoas rabetas, batendo palmas e chamando pelo nome de Nanes. O medo agora é que ele tenha sido levado para áreas mais profundas ou para os igarapés que cortam a floresta densa ao redor da aldeia. O tempo corre contra a esperança de encontrar vida.

As buscas oficiais devem se intensificar a partir da tarde desta terça-feira com a chegada do reforço de Rio Branco. Qualquer informação sobre o paradeiro de Nanes Batista Domingos Kaxinawá, ou avistamento de objetos na água, pode ser encaminhada ao Posto Avançado do Corpo de Bombeiros em Sena Madureira ou diretamente à Polícia Civil de Santa Rosa do Purus. A comunidade pede apenas que tragam o corpo de volta para o enterro correto, segundo os costumes do povo Kaxinawá.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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